GLP-1 cria nova jornada de consumo nas farmácias
Estudo da IQVIA mostra que o mercado de GLP-1 cresceu 99,4% até junho
por Adriana Bruno em
O avanço dos análogos de GLP-1 está alterando a dinâmica do varejo farmacêutico e os hábitos de consumo. Dados apresentados pela IQVIA na World Review Conference 2026 mostram que a categoria deixou de ser apenas um segmento em expansão e passou a influenciar diferentes canais, perfis de farmácias e categorias relacionadas ao tratamento.
No acumulado até junho de 2026, o mercado farmacêutico brasileiro alcançou R$ 130,3 bilhões em preço ao consumidor (R$ CPP), crescimento de 10,1% em relação aos R$ 118,3 bilhões registrados no mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o mercado de GLP-1 apresentou crescimento de 99,4%.
No segundo dia da 13ª edição do Abrafarma Future Trends, Fábio Alguim, diretor sênior de Relacionamento com Parceiros Estratégicos & Serviços ao Cliente da IQVIA, apresentou a palestra “Impactos do GLP-1 – como os novos medicamentos mudam o comportamento de compra”, na Arena de Ideias Laranja. Segundo o executivo, não é só o GLP-1 que vai vender. “O consumidor vai comprar GLP-1, mas também pode levar vitaminas, minerais, ômega 3, magnésio e outros produtos. Existe todo um pacote relacionado a essa jornada”, comenta.
Mercado de GLP-1 praticamente dobra em um ano
Considerando liraglutida, semaglutida e tirzepatida, o mercado de GLP-1 passou de R$ 4,3 bilhões no acumulado até junho de 2025 para R$ 8,5 bilhões no mesmo período de 2026. A evolução corresponde a 99,4%.
A participação do GLP-1 no mercado farmacêutico também avançou no período. Em YTD Jun’25 (year to date), a categoria representava 3,6% do mercado, com R$ 4,3 bilhões. Em YTD Jun’26, passou a responder por 6,6%, alcançando R$ 8,5 bilhões.
Categoria ganha espaço fora das grandes redes
A expansão do GLP-1 também está acompanhada por uma mudança na distribuição da categoria entre os diferentes formatos do varejo farmacêutico.
Segundo a IQVIA, o GLP-1 deixa de ser exclusividade das grandes redes em 2026. A chegada dos similares amplia o acesso à categoria e aumenta a presença dos análogos de GLP-1 em mais farmácias.
O estudo destaca três movimentos – mais farmácias passam a trabalhar com análogos de GLP-1; associativistas e independentes ganham relevância; e a distribuição amplia seu papel na capilarização da categoria.
Avanço aparece nos diferentes segmentos do varejo
Os dados apresentados pela IQVIA mostram diferenças na evolução do mercado de medicamentos sujeitos a prescrição conforme a presença ou não de GLP-1.
No mercado de medicamentos de prescrição de marca/similar sem GLP-1, o valor passou de R$ 18,7 bilhões no YTD Jun’25 para R$ 20 bilhões no YTD Jun’26, crescimento de 6,8%. Já o mercado de GLP-1 dentro desse segmento passou de R$ 0,5 bilhão para R$ 1 bilhão, alta de 118,9%.
Entre os medicamentos de prescrição de referência, o mercado sem GLP-1 passou de R$ 18,9 bilhões para R$ 19,1 bilhões, avanço de 1,5%. No recorte de GLP-1, o valor aumentou de R$ 3,8 bilhões para R$ 7,5 bilhões, crescimento de 97%.
No total, o mercado de GLP-1 passou de R$ 4,3 bilhões no YTD Jun’25 para R$ 8,5 bilhões no YTD Jun’26, crescimento de 99,4%.
Impactos vão além da prescrição
A expansão dos medicamentos para tratamento relacionado ao GLP-1 também está associada ao crescimento de categorias adjacentes no varejo farmacêutico.
Segundo os dados da IQVIA, referentes ao acumulado até junho de 2026 e medidos em preço ao consumidor, alimentos esportivos apresentaram evolução de 20%; vitaminas, minerais e suplementos, de 9%; produtos gastrointestinais, de 8%; e cuidados ao paciente, de 15%.
Entre as subcategorias destacadas no material estão produtos com whey, com evolução de 20%; laxantes, com alta de 16%; monovitaminas e minerais, com crescimento de 18%; e agulhas e seringas, com avanço de 249%. “Os produtos de maior valor agregado performam melhor nos canais digitais. A farmácia precisa entender esse comportamento e estar preparada para capturar essa jornada”, pontua Alguim.
Exigências operacionais para as farmácias
Diante da expansão da categoria, o IQVIA aponta uma série de aspectos operacionais para os pontos de venda.
Entre as recomendações estão garantir armazenamento adequado, incluindo cadeia fria; desenvolver capacidade para trabalhar com produtos termolábeis; estruturar processos para retenção de receita, conforme a RDC 471; e trabalhar categorias adjacentes ao tratamento.
Para os distribuidores, o IQVIA destaca a necessidade de ampliar a cobertura para canais associativistas e independentes, preparar o mix para similares e para a expansão da demanda por categorias adjacentes, monitorar rupturas e disponibilidade e apoiar o varejo na construção da nova cesta de consumo. “É fundamental estar preparado para precificar corretamente, capturar a jornada desse paciente e ter um programa de relacionamento efetivo. O cenário está se transformando e a farmácia precisa estar preparada”, finaliza Alguim.