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Misturar antidepressivo e remédio natural é arriscado, diz psiquiatra

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O uso de antidepressivos, além de outros medicamentos para transtornos mentais como ansiedade, tem aumentado nos últimos anos, e não poderia ser diferente após a pandemia. Só para se ter uma ideia, nos cinco primeiros meses do ano passado houve um aumento de 13% na venda de antidepressivos e estabilizadores de humor, de acordo com o Conselho Federal de Farmácia (CFF). Uma outra pesquisa do próprio conselho alerta, ainda, que a automedicação é um hábito praticado por 77% dos brasileiros. Remédios como antialérgicos e analgésicos, além de suplementos vitamínicos e fitoterápicos, estão nessa esteira.

Risco de interação

O psiquiatra Adiel Rios, pesquisador no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) adverte que “natural” nem sempre é sinônimo de seguro: ‘Apesar dos benefícios no uso de fitoterápicos, existe um grande número de notificações de eventos adversos no banco de dados da farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária referente a plantas medicinais ou seus derivados, confirmando a falsa crença que são inofensivos por serem produtos naturais’.

Além disso, plantas medicinais podem anular ou potencializar o efeito de outros remédios – o termo utilizado para isso é ‘interação medicamentosa’. Veja alguns exemplos de possíveis complicações causadas pelo uso combinado de antidepressivos e suplementos ou ervas:

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1.Triptofano

Esse aminoácido é encontrado em proteínas de origem animal e vegetal, e constitui uma matéria-prima para elementos essenciais para o nosso organismo, como a vitamina B3 (niacina), a serotonina (neurotransmissor envolvido na regulação do humor), e a melatonina (hormônio envolvido no sono).

Mas seu consumo em excesso, junto com outros medicamentos, pode causar reações adversas: ‘Alguns remédios para depressão (como fluoxetina e sertralina) aumentam a concentração de serotonina no cérebro. Como o uso de suplementos de triptofano ou o consumo excessivo do aminoácido através da dieta também aumentam a concentração do nutriente, combinar os dois pode causar sérios efeitos colaterais, entre eles, problemas cardíacos, ansiedade e tremores’, comenta Rios.

2.Erva-de-são-joão

Também chamada de Hipericum (ou hipérico), costuma ser indicado como opção natural para quem sofre de insônia ou depressão. ‘A erva pode interagir com antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina, potencializando seu efeito e podendo causar síndrome serotoninérgica – caracterizada por ansiedade, agitação, inquietação, sobressaltos, bem como delírio e confusão. Podem ocorrer tremores ou espasmos musculares, rigidez muscular, frequência cardíaca aumentada, hipertensão arterial, aumento da temperatura, sudorese, calafrios, vômito e diarreia, podendo levar à morte’, avisa o psiquiatra.

Além disso, a combinação do hipérico com outros medicamentos, como estatinas, anticoagulantes e anticoncepcionais também pode causar problemas graves.

3.Ginseng

Conhecido como adaptogênico (capaz de aumentar a energia e resistência aos efeitos lesivos do estresse), o ginseng é usado por quem quer melhorar o desempenho físico, inclusive o sexual. Mas o fitoterápico também possui uma lista de interações possíveis, que inclui anticoagulantes, anti-hipertensivos, antidepressivos inibidores da monoamino oxidase (IMAO) e anticoncepcionais à base de estrogênio. ‘Para exemplificar, o uso concomitante de medicamentos fitoterápicos à base de ginseng e estrogênios pode provocar efeitos adversos advindos do aumento da atividade estrogênica, tais como mastalgia [dor na mama] e sangramento menstrual excessivo’, diz Rios.

4.Ginkgo biloba

O fitoterápico costuma ser indicado para dificuldades de concentração e memória, mas também pode interferir com anticoagulantes orais, antiplaquetários e com fármacos metabolizados pelo sistema P450-CYP3A4, causando hemorragias. Vale mencionar que muitos medicamentos usados para depressão e ansiedade também são metabolizados por esse sistema enzimático.

Fale sempre com o médico

Quem toma qualquer tipo de medicamento diariamente deve consultar o médico que fez a prescrição antes de experimentar qualquer tipo de fitoterápico ou mesmo chás medicinais.

O psiquiatra lembra o exemplo da camomila, que, apesar de tão comum no Brasil, pode provocar paralisia de músculos do aparelho digestivo, útero e bexiga, e por isso não deve ser consumida por grávidas.

‘Sempre que a pessoa realizar um atendimento médico e tiver que tomar remédios, é recomendo que fale ao médico sobre os fitoterápicos, chás e suplementos que possa estar consumindo. Às vezes, um chá pode anular ou potencializar os efeitos do fármaco’, alerta.

O uso de drogas ilícitas também precisa ser informado, bem como o de álcool. Por fim, é importante reforçar que o uso de antidepressivos ou sedativos (como benzodiazepínicos) não pode ser interrompido sem uma redução gradual com acompanhamento médico. Um único dia sem o fármaco pode gerar sintomas graves!

Fonte: Dr Jairo Bouer

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/vendas-de-antidepressivos-cresceram-13/

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