Fabricante de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, a Novo Nordisk escolheu o Brasil para testar um modelo inédito de venda direta ao consumidor.
A companhia lançou o NovoCare Farmácia, plataforma que permitirá a compra online de seus medicamentos, como as canetas de semaglutida, mediante apresentação de receita médica válida, com integração direta com o programa de suporte ao paciente da empresa, o NovoDia. A informação foi divulgada pelo InfoMoney.
A iniciativa representa uma mudança estratégica ao incorporar a etapa da compra ao ecossistema de serviços já oferecido aos pacientes. Desenvolvido exclusivamente para o mercado brasileiro, o projeto poderá servir de referência para outros países caso os resultados sejam positivos.
A operação é realizada em parceria com a AS Medicamentos, responsável pela venda, faturamento e logística em todo o país. Todo o processo, incluindo a validação da prescrição, ocorre de forma digital.
Segundo a diretora sênior de Marketing da área Cardiometabólica da Novo Nordisk, Natalia Ortiz, o novo canal amplia a jornada de atendimento sem substituir os parceiros tradicionais. “O canal de vendas é uma evolução natural da estratégia da Novo Nordisk. A iniciativa representa um avanço estratégico ao integrar a etapa final da jornada do paciente ao ecossistema NovoCare”, afirma.
Ela destaca que clínicas, hospitais, distribuidores e redes de farmácias continuam desempenhando papel fundamental. “O novo canal funciona como mais uma opção de compra, complementando o ecossistema atual”
Brasil ganha protagonismo
A escolha do Brasil reflete o forte crescimento da demanda por tratamentos para diabetes e obesidade, tornando o país um dos mercados prioritários da companhia.
Inicialmente voltada aos medicamentos cardiometabólicos, a plataforma deverá incorporar futuramente outros produtos do portfólio. Além da compra, pacientes cadastrados no programa NovoDia terão acesso a preços diferenciados, atendimento online com nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e enfermeiros, além de parcerias voltadas ao bem-estar. A empresa não informou o valor investido na plataforma, mas classificou o projeto como estratégico.
Pressão competitiva
O lançamento ocorre em um momento de forte disputa no mercado global de medicamentos para obesidade. Impulsionada pelo sucesso de Ozempic e Wegovy, a Novo Nordisk chegou a superar US$ 425 bilhões em valor de mercado, tornando-se, em determinado momento, a empresa mais valiosa da Europa.
Nos últimos meses, porém, a concorrência — principalmente da Eli Lilly — reduziu esse valor para cerca de US$ 212 bilhões, aumentando a pressão por novas estratégias comerciais. A venda direta busca fortalecer o relacionamento com os pacientes, ampliar a adesão ao tratamento e complementar os canais tradicionais de distribuição.
Negociação com o SUS
Outra frente da companhia é ampliar o acesso aos tratamentos na rede pública. Na última semana, a Novo Nordisk apresentou à Conitec uma nova proposta para incorporar o tratamento da obesidade ao SUS, oferecendo desconto de 59% sobre o preço do medicamento ao governo federal. Segundo a empresa, a oferta atende aos critérios de custo-efetividade exigidos pelo Ministério da Saúde e pretende viabilizar economicamente a incorporação.
Corrida pelas versões orais
A companhia também acelera o desenvolvimento da versão oral de seus medicamentos para obesidade. Nos Estados Unidos, a aprovação do produto contribuiu para resultados financeiros acima das expectativas no primeiro trimestre. No Brasil, o pedido de registro da chamada “caneta em pílula” foi protocolado na Anvisa em 30 de janeiro e segue em análise. Caso seja aprovado, o medicamento poderá ampliar o acesso ao tratamento e intensificar a disputa em um dos segmentos mais promissores da indústria farmacêutica
