O custo real de uma contratação errada na farmácia
Como valores claros, entrevistas estruturadas e um ambiente saudável elevam o engajamento e os resultados do time
Para muitos donos e gestores de farmácias, o processo de recrutar e engajar pessoas tem se tornado um desafio cada vez maior e mais desgastante. E quando realizado de maneira inadequada, pode se tornar prejudicial não apenas para o funcionamento da empresa, mas também para o orçamento.
“Na pressa para repor uma força de trabalho importante, como um balconista, é comum que o empresário divulgue a vaga rapidamente no WhatsApp, entreviste de qualquer maneira e contrate colaboradores por eliminação e não por qualificação”, comenta Paulo Costa, CEO da Éden Grupo e Especialista em liderança do Panorama Farmacêutico.
Segundo o executivo, o preço dessa contratação equivocada é alto e se reflete em custos invisíveis. Além do impacto financeiro, que pode chegar a representar 30% do custo anual do profissional, trazer a pessoa errada provoca a queda da produtividade do resto do time, gerando uma grave erosão da cultura da farmácia e contaminando negativamente o ambiente.
Valores são a base para decisões de contratação
Para reverter esse quadro, a primeira premissa para construir equipes de alto desempenho é ter valores do negócio bem definidos. “Tratam-se de códigos internos que vão delimitar o que a empresa pode ou não fazer e os critérios para tomada de decisões”, aconselha.
Um candidato pode ter currículo impecável e ser excelente tecnicamente. Mas se o comportamento dele for contrário à cultura que a farmácia está construindo, ele gerará conflitos e destruirá o clima da equipe. “Se a farmácia define junto ao time de vendas que cuidar do paciente é o principal objetivo, isso classifica um valor”, exemplifica.
Contratar com missões claras e o com o Método STAR
Outra falha estrutural nas farmácias é a criação de descrições de cargos muito genéricas, que listam apenas as tarefas, como limpar, emitir nota ou atender clientes.
Uma boa descrição deve detalhar, em primeiro lugar, a missão e os resultados esperados para o cargo. Por exemplo, o objetivo de um atendente de farmácia é garantir que o cliente saia com a solução certa e queira voltar. E tão importante quanto descrever o que o colaborador deve fazer é alinhar de forma clara as tarefas que ele pode ou não exercer, evitando conflitos de funções.
Na etapa de entrevista, Costa recomenda a adoção do método STAR (Situação, Tarefa/Técnica, Ação, Resultado). Em vez de fazer perguntas hipotéticas que podem gerar falsas sensações no recrutador, como questionar a conduta que o candidato adotaria se um cliente chegasse irritado, o gestor deve indagar o profissional sobre como ele agiu em situações reais do passado. O princípio dessa técnica defende que o comportamento passado é o melhor preditor de comportamentos futuros.
As três virtudes do “jogador ideal”
Com base nos estudos do autor Patrick Lencioni, o especialista ainda enumera três características e virtudes comportamentais que, quando combinadas, indicam um profissional de alto potencial.
Humildade
O termo não é sinônimo de subserviência, mas sim revela a capacidade de trabalhar coletivamente e não se colocar acima da equipe. O universo da farmácia não gira apenas em torno dele e de suas vendas individuais.
Fome de crescimento
É a pessoa que você não precisa “empurrar”. Ela faz mais do que precisa, tem desejo de aprender, de crescer e toma a iniciativa.
Inteligência Emocional
O colaborador é capaz de ler o ambiente, ter autocontrole, tratar bem os colegas e clientes e não criar confusões.
O ambiente que retém talentos
Por fim, o executivo reforça que reter os melhores talentos exige um ambiente de trabalho que promova segurança psicológica e dignidade. Ambientes tóxicos, liderança pautada pelo medo ou espaços físicos precários para descanso destroem qualquer estratégia de engajamento.
O salário paga as contas em casa, mas o que engaja o profissional é sentir que está num lugar onde vai se desenvolver, crescer e se conectar com um propósito. “As pessoas não deixam empresas. Elas deixam gestores ruins, líderes péssimos e donos de farmácia que não conseguem construir uma equipe porque não conseguem liderar sequer a si mesmos”, finaliza Costa.