Preço de medicamento varia até 4,7 vezes, diz estudo
Levantamento compara custo, frete, prazo e experiência de compra do mesmo produto em 24 redes de farmácias e sete capitais brasileiras
por Adriana Bruno em
O preço do mesmo medicamento pode variar até 4,7 vezes entre capitais brasileiras, enquanto o frete, em alguns casos, supera o valor do próprio produto.
Os dados fazem parte de um estudo da BrandTail.ai, que analisou 24 redes de farmácias em sete capitais, a partir de 168 simulações de compra do cetoprofeno 150 mg, genérico da Eurofarma, com 10 comprimidos de liberação prolongada.
A pesquisa avaliou preço, frete, prazo e disponibilidade de entrega, mostrando que a competitividade no e-commerce farmacêutico vai além do valor exibido na página do produto. Em 65 das 168 combinações testadas, ou 38%, não houve opção de entrega confirmada.
“Tornar essa experiência mais fluida e sem fricção para o cliente é um desafio cada vez maior. O estudo mostra que as redes estão avançando na regionalização de preços no digital, mas ainda enfrentam desafios importantes na forma como apresentam preço, frete e prazo de entrega”, destaca Jefferson Costa Silva, fundador da BrandTail.ai.
Preço regional ainda é exceção
A maior diferença de preço foi identificada na Droga Raia, que ofereceu o medicamento por R$ 7,97 em Fortaleza e R$ 37,35 em Curitiba — uma diferença de 4,7 vezes. A Ultrafarma também apresentou variação regional, embora menor.
Segundo o estudo, apenas Droga Raia e Ultrafarma praticaram preço final efetivamente regional nas sete capitais analisadas. As outras 20 redes praticaram o mesmo preço de tabela nas capitais avaliadas.
Para o varejo, o dado reforça a importância de acompanhar a precificação por região e não apenas estabelecer uma política nacional de preços. Isso porque, mesmo quando o valor do produto é igual, o custo final pode mudar significativamente em função da logística.
Frete entra na disputa por margem
Em 36 das 168 combinações, o frete mais barato disponível já custava mais que o próprio medicamento. Na Drogaria Nossa Farma, por exemplo, o produto custava R$ 8,49, enquanto o frete chegava a R$ 32,20 em Fortaleza, equivalente a 3,8 vezes o preço do item.
Em outro caso, o SEDEX da mesma rede para Fortaleza chegou a R$ 72,70. Na Panvel, o frete para a capital cearense custava R$ 54,66 para um medicamento de R$ 38,49.
“O ecommerce é regional e vai muito além do preço”, pontua o executivo. Na avaliação dele, a logística passou a fazer parte da própria estratégia comercial do canal digital.
“Gestão de preços está cada vez mais sofisticada no digital e elementos de conversão (frete e prazo) são fundamentais para otimizar venda e margem, mas principalmente proporcionar uma boa experiência ao cliente”, afirma.
Cobertura limita a expansão digital
A disponibilidade também aparece como um gargalo. Seis das 24 redes — Pague Menos, Drogaria Globo, Farmácia Permanente, Santo Remédio, Drogaria Rosário e Drogasmil — não confirmaram entrega em nenhuma das sete capitais.
Outras cinco apresentaram cobertura parcial. A DPSP, por exemplo, confirmou entrega em seis capitais; Venâncio, em três; e A Nossa Drogaria, Coop Drogaria e Drogaria Tamoio, em apenas uma.
O cenário mostra que a presença no e-commerce não garante, necessariamente, capacidade de atendimento nacional. Para redes regionais e nacionais, logística e cobertura tornam-se componentes estratégicos da expansão digital.
Experiência também impacta conversão
Além dos preços, o estudo identificou problemas na jornada de compra. Entre os exemplos estão fretes de R$ 1.000 exibidos como opção, calculadoras que não consideravam corretamente o CEP e preços mantidos na página mesmo quando não havia entrega disponível para o endereço.
Na Panvel, o sistema chegou a sugerir retirada em lojas do Rio Grande do Sul para um CEP de Fortaleza. Na Araújo, a calculadora de frete retornava uma loja fixa em Minas Gerais, independentemente do CEP informado.
Os casos reforçam que preço, frete, prazo e experiência precisam ser analisados de forma integrada. Para o varejo, o desafio não está apenas em oferecer um preço competitivo, mas em garantir que a promessa exibida no digital possa efetivamente ser convertida em venda.
Competitividade passa pelo custo total
Para consolidar os resultados, a BrandTail.ai criou um Score de Competitividade Regional, considerando preço + frete, experiência, preço isolado e regionalização. O maior peso, de 35%, foi atribuído ao custo de produto mais frete, enquanto a experiência respondeu por 30%.
O estudo evidencia, assim, uma mudança importante na gestão do canal; “O preço anunciado deixou de ser suficiente para medir competitividade. Para o varejo farmacêutico, acompanhar o custo total da compra por região pode ser determinante para equilibrar conversão, margem e experiência do consumidor”, finaliza Silva.