O ano de 2026 ficará marcado como um dos mais ativos da história recente em fusões e aquisições farmacêuticas. “As 22 maiores aquisições somaram dezenas de bilhões de dólares e apontam para uma direção clara: as grandes farmacêuticas estão comprando plataformas tecnológicas, ciência de fronteira e acesso a mercados futuros”, comenta Alexandro Gandur, conselheiro executivo na Mindus. Ele destaca que quem dominar as tecnologias da próxima geração dominará a próxima década da indústria farmacêutica.
O que mais chama atenção nesse movimento
Para Jauri Siqueira Jr, gestor comercial da Clinicarx e Conecta, oncologia e imunobiologicos seguem sendo prioridade absoluta. Grande parte dos negócios está concentrada em câncer, terapias celulares, ADCs e hematologia. “O racional é claro: alto valor clínico, necessidade médica não atendida e potencial de medicina personalizada”, pontua.
Além disso, terapias avançadas saíram do futuro e viraram presente Gene therapy, cell therapy, biotech, inteligência artificial e tecnologias de entrega estão deixando de ser apostas experimentais para se tornarem ativos estratégicos de mercado.

Escala global e especialização direcionam as biofarmacêuticas
Siqueira Jr aponta que a Big Pharma está comprando velocidade. “Em vez de desenvolver tudo internamente, gigantes estão adquirindo pipelines já avançados, reduzindo tempo até mercado e risco regulatório”, diz.
Outro ponto destacado pelo especialista mostra que a saúde da mulher e doenças raras ganham protagonismo. Para ele, o negócio Sun Pharma + Organon reforça que há uma corrida silenciosa por áreas historicamente subinvestidas, mas com enorme potencial de crescimento. Em abril deste ano, a farmacêutica indiana Sun Pharma anunciou a compra do laboratório norte-americano Organon, conforme noticiado pelo Panorama Farmacêutico.
De acordo com Siqueira Jr, escala global e especialização caminham juntas. “Não é mais sobre ser grande. É sobre ter ativos diferenciados, capacidade de execução e tecnologia proprietária. Quando olhamos esse cenário, uma reflexão fica evidente: o futuro da saúde será cada vez mais biotecnológico, personalizado, preventivo e baseado em dados”, diz.
Gandur analisa que as aquisições de 2026 mostram que a indústria farmacêutica entrou definitivamente na era das plataformas tecnológicas. “A liderança agressiva da Lilly evidencia que o crescimento futuro será construído na convergência entre biologia, genética, dados e inteligência artificial. Para o Brasil, o movimento da EMS reforça a importância da consolidação e da escala. Mas também deixa uma provocação estratégica: quais empresas brasileiras estarão comprando plataformas de terapia gênica, IA e biotecnologia avançada em 2030? Essa talvez seja a pergunta mais importante que os executivos farmacêuticos precisam responder hoje”, finaliza.
