Retatrutida reduz obesidade em mais da metade dos pacientes
Dose de 12 mg levou a perda média de 20,8% do peso em 80 semanas
por Gabriel Noronha em
e atualizado em
Mais da metade dos adultos com diabetes tipo 2 submetidos ao tratamento com retatrutida, após receberem a dose de 12 mg, deixaram a faixa de obesidade após 80 semanas. As informações são do G1.
Os números foram divulgados após o estudo de fase 3 TRIUMPH-2, da Eli Lilly. O fármaco acarretou perda média de peso de 20,8%, o equivalente a 22,5 kg.
Os resultados da análise foram debatidos no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), em Milão, e publicados na The Lancet. O estudo também mostrou redução da hemoglobina glicada de cerca de 1,5% em todas as aplicações.
Nas doses mais altas, quase 80% dos participantes ficaram abaixo do nível usado para diagnóstico do diabetes e cerca de 40% atingiram valores considerados normais.
Retatrutida supera resultado em estudo anterior
A perda de peso aumentou conforme a dosagem. Na de 4 mg, a redução média foi de 12,7%; na de 9 mg, 19,1%; e na de 12 mg, 20,8%. No grupo placebo, a redução foi de 4%.
Entre os participantes com IMC igual ou superior a 35, a dose de 12 mg proporcionou perda média de 23,4%, ou 27,5 kg. Ao final do estudo, 59,5% dos pacientes que receberam a dose máxima estavam abaixo de IMC 30.
O resultado ficou abaixo do observado no TRIUMPH-1, também repercutido pelo Panorama Farmacêutico, que avaliou adultos com obesidade ou sobrepeso associados a outras condições. Naquele estudo, a dose de 12 mg levou a uma perda média de 28,3% do peso.
Na análise que considera também os participantes que interromperam definitivamente o tratamento, a perda média com 12 mg foi de 18,8%. Nesse critério, 47% dos pacientes perderam pelo menos 20% do peso.
Além dos resultados de peso e glicemia, o TRIUMPH-2 registrou melhora em marcadores cardiovasculares. Na dose de 12 mg, os triglicerídeos caíram 39,5%, o colesterol não-HDL recuou 19,6%, a pressão arterial sistólica diminuiu 10,8 mmHg e a circunferência da cintura, 16,9 centímetros.
Esses dados ainda não permitem concluir se a retatrutida reduz eventos como infarto ou AVC. Estudos específicos para avaliar esses desfechos cardiovasculares ainda estão em andamento.
Perfil de segurança e próximos passos
A retatrutida ainda não tem aprovação em nenhum país. A terapia semanal em desenvolvimento integra a mesma disputa de mercado de semaglutida e tirzepatida.
Os efeitos adversos mais frequentes durante os testes clínicos foram gastrointestinais e aumentaram com a dose. Entre os pacientes que receberam 12 mg, 33,6% tiveram diarreia, 28% náusea e 15,7% vômitos.
A disestesia, caracterizada por alterações de sensibilidade como formigamento e ardência, ocorreu em 7,3% dos participantes da dosagem máxima.
Segundo o endocrinologista Clayton Macedo, os resultados de tolerabilidade não permitem comparação direta com semaglutida ou tirzepatida, já que não houve um estudo colocando os medicamentos nas mesmas condições.
Agora, a Lilly planeja solicitar o registro da retatrutida à FDA no primeiro trimestre de 2027, enquanto pedidos em outros mercados devem ocorrer posteriormente.