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Vacina mostra eficácia em doentes

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Embora pesquisas sobre tratamento sejam o foco do maior congresso de oncologia clínica da Europa, um dos destaques do evento, segundo especialistas, foi uma pesquisa que demonstrou a eficácia da vacina para covid-19 em pacientes de câncer. Havia uma preocupação de que, devido aos medicamentos, que baixam a imunidade, as substâncias não fossem tão efetivas.

Porém, a produção de anticorpos neutralizantes — aqueles capazes de impedir a replicação do vírus — foi tão abundante nessas pessoas quanto nas que não estão sob tratamento de câncer. Outro estudo, também apresentado no congresso, mostrou, contudo, que a proteção diminui mais cedo, sugerindo a prioridade desse público para a aplicação de uma dose de reforço da vacina.

“Esses dois trabalhos foram muito relevantes”, define o oncologista Fernando Maluf, um dos fundadores do Instituto Vencer o Câncer e médico dos hospitais Albert Einstein e Beneficência Portuguesa, em São Paulo. “Essa imunidade pode cair mais rapidamente em pacientes com câncer, talvez por um efeito dos tratamentos de imunossupressão. Portanto, mostra a relevância de uma terceira dose de vacina para pacientes que têm diagnóstico de câncer”, diz.

A eficácia da vacina para covid-19 em pacientes oncológicos foi identificada por pesquisadores holandeses e apresentada no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (Esmo) na semana passada. O estudo mostrou que as pessoas com câncer têm uma resposta imune protetora de acordo com que se espera da vacina, sem passar por efeitos colaterais diferentes que a população em geral.

Para explorar o impacto potencial da quimioterapia e da imunoterapia na proteção conferida pelos imunizantes, o estudo Voice inscreveu 791 pacientes de vários hospitais na Holanda em quatro grupos distintos: indivíduos sem câncer, os com câncer tratados com imunoterapia, os submetidos à quimioterapia e, finalmente, os tratados com uma combinação de quimioimunoterapia, para medir suas respostas à vacina de mRNA (a norte-americana Moderna, que usa o mesmo protocolo da Pfizer) no regime de duas doses.

Vinte e oito dias após a administração da segunda dose, níveis adequados de anticorpos contra o vírus no sangue foram encontrados em 84% dos pacientes com câncer recebendo quimioterapia, 89% daqueles na quimioimunoterapia em combinação, e 93% dos em imunoterapia isolada.

“Fica realmente a mensagem de que pacientes com câncer em tratamento imunossupressor devem ser prioritários em termos de vacinação, porque eles, de fato, podem se beneficiar dessa vacinação”, destaca o oncologista brasileiro Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas.

Fonte: Jornal Correio Braziliense – DF

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