WhatsApp consolida-se como principal canal para compras a distância
Segundo pesquisa da IFEPEC, 13,3% dos entrevistados prefere o aplicativo para fazer pedidos
por César Ferro em
O varejo farmacêutico ainda conta com um público físico cativo, mas, diante da dinâmica da rotina, as compras a distância ganham relevância. Nesse contexto, um canal em especial vem se destacando: o WhatsApp.
Segundo o estudo Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizado pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa (IFEPEC) em parceria com o Instituto Axxus e o NEIT da Unicamp, o aplicativo lidera entre as plataformas mais utilizadas nessa modalidade de compra.
A pesquisa ouviu quatro mil entrevistados, com distribuição de 52% de mulheres e 48% de homens. A faixa etária mais representativa foi a de 41 a 60 anos, correspondente a 38% do total.
WhatsApp lidera, mas presencial ainda tem força
Ir até a farmácia ainda é uma atividade cotidiana para a maioria dos consumidores. De acordo com o levantamento, 83,4% realizam compras exclusivamente presenciais, enquanto 11,6% às vezes compram a distância e 5% sempre optam por canais não presenciais.
“Apesar da aceleração digital, a farmácia física permanece dominante, sustentada pela experiência presencial e pela necessidade imediata do produto”, afirma Edison Tamascia, presidente da Febrafar.
É nesse universo de 16,6% dos consumidores digitalizados que o WhatsApp se destaca, surgindo como o canal mais utilizado.
Os canais mais utilizados para compras a distância (H3)
(Participação entre os consumidores que realizam compras não presenciais no Brasil)

“Em relação a 2024, o percentual de entrevistados que utilizam o aplicativo para efetuar compras aumentou 101%”, destaca.
Centro-Oeste usa mais o aplicativo
No comparativo por região, o Centro-Oeste se destaca no uso do WhatsApp. Por lá, 19,1% dos entrevistados têm o aplicativo como canal preferido para compras a distância.
Os aplicativos proprietários das farmácias, por sua vez, são mais comuns no Sudeste (2,9%) – estados que também concentram a maior parcela de consumidores digitalizados (18,1%). Já o telefone faz mais sucesso no Norte (1,7%). O Nordeste é onde as idas à loja são mais frequentes (87,6%).
Delivery não caiu no gosto dos 60+
Apesar do avanço da digitalização no recorte geral, a maioria dos consumidores com mais de 60 anos ainda não acompanha essa tendência. Quase três quartos desse público nunca utilizam o serviço de delivery das farmácias.
“A baixa adesão ao delivery pelo público idoso pode ser explicada por diversos fatores: preferência pelo contato social e pela rotina de ir à farmácia, desconfiança ou dificuldade com canais de compra não presenciais, ou a falta de uma oferta de delivery atrativa e bem divulgada”, teoriza Tamascia.
Apenas 24,7% dos entrevistados nessa faixa etária utilizam o serviço de entrega em domicílio – sendo 3,8% sempre e 20,9% às vezes. Esse consumidor costuma ser fiel: apenas 4,2% recorrem ao delivery de outras drogarias que não a da compra atual.
Os idosos do Sudeste também são os que mais utilizam o serviço (25,2%), enquanto os do Norte são os que menos recorrem à entrega (75,9%). “O menor uso nesses estados pode estar relacionado a uma oferta mais limitada ou a desafios logísticos”, pontua.
Pela primeira vez, o IFEPEC incorporou um recorte analítico sobre esse público em seu relatório. Você pode conferir alguns dos principais insights na matéria do Panorama Farmacêutico.