A parceria entre a Eurofarma e a Novo Nordisk vai além da comercialização de medicamentos análogos de GLP-1. Em evento acompanhado pelo Panorama Farmacêutico, as companhias apresentaram dados sobre o mercado, novas condições de acesso aos medicamentos e os impactos da semaglutida no tratamento de doenças crônicas como obesidade e diabetes.
A Eurofarma comercializa no Brasil o Poviztra e o Extensior, ambos produzidos pela Novo Nordisk e que equivalem, respectivamente, ao Wegovy e ao Ozempic.
Segundo a Dra. Priscila Mattar, endocrinologista e vice-presidente da área médica da farmacêutica dinamarquesa, a chegada da semaglutida representou uma transformação no tratamento da obesidade. “Por cerca de 20 anos a obesidade foi uma doença negligenciada. Os pacientes recebiam apenas orientação para dieta e atividade física e carregavam sozinhos a responsabilidade pelo tratamento. Hoje temos uma terapia capaz de mudar essa realidade”, afirma.
A médica acrescenta que a semaglutida foi desenvolvida para permanecer ativa no organismo por até uma semana, mantendo elevada similaridade com o hormônio humano. “É uma revolução médica e cultural. Essa molécula representa um marco no tratamento da obesidade”, ressalta.
A Dra. Priscila também revelou que a Novo Nordisk recebeu aprovação da Anvisa para comercializar no Brasil a primeira insulina de aplicação semanal, embora ainda não exista previsão para o lançamento.
Categoria registra expansão de quase 100% em 12 meses
A iniciativa ocorre em um momento de forte crescimento da categoria de análogos de GLP-1, que registrou expansão de 97,6% nos últimos 12 meses até maio deste ano, segundo dados da IQVIA apresentados durante o evento.
Andrea Frazão, diretora de prescrição médica da Eurofarma, destacou a robustez das evidências científicas que sustentam a terapia. “A semaglutida é a molécula mais estudada da história da medicina nessa categoria, com mais de 60 estudos clínicos e cerca de 50 mil pacientes avaliados”, afirmou.
Os resultados incluem perdas médias de peso entre 17% e 21% em pacientes com obesidade, além de controle glicêmico adequado para aproximadamente 75% dos pacientes com diabetes tipo 2. A medicação também foi a primeira da categoria a comprovar redução de 20% no risco de eventos cardiovasculares e demonstrou benefícios no tratamento da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH).
“O varejo farmacêutico cresceu 13% no último ano, enquanto a categoria dos análogos de GLP-1 avançou 97,6%, alcançando R$ 12,7 bilhões”, destaca Andrea.
Eurofarma reduz preços de suas canetas
Em linha com iniciativas recentes de outras farmacêuticas, como EMS e Novo Nordisk, a Eurofarma anunciou novas condições de acesso aos medicamentos à base de semaglutida. Andrea revelou a ampliação do programa EuroCuida, que passará a oferecer a apresentação de 1 mg do Poviztra com valor até 48% mais acessível.
“No combo, o Poviztra poderá ser adquirido por R$ 295 por caixa nas apresentações de 0,25 mg e 0,5 mg. Já a versão de 1 mg custará R$ 309, desde que a recompra seja realizada em até 80 dias após a primeira aquisição”, explica.
Outra novidade envolve o Extensior, indicado para diabetes tipo 2. Segundo a executiva, a versão de 1 mg também passará a custar R$ 309, representando redução de até 48%.
“Nosso objetivo é garantir que o paciente não apenas inicie o tratamento, mas consiga mantê-lo ao longo do tempo. Estamos falando de terapias crônicas, nas quais a adesão é fundamental para alcançar os resultados clínicos esperados”, afirma.
A partir de 1º de julho, o EuroCuida também oferecerá descontos de até 50% em suplementos nutricionais da companhia, iniciativa voltada à preservação da massa magra durante o processo de emagrecimento.
Distribuição nacional
A parceria prevê que a Novo Nordisk continue responsável pela fabricação integral dos medicamentos com sua tecnologia original, enquanto a Eurofarma atuará na distribuição e ampliação da capilaridade comercial em todo o país. “O produto continua sendo fabricado pela Novo Nordisk com toda a tecnologia original. A Eurofarma entra para ampliar a distribuição e levar essa terapia para um número maior de pacientes em todo o Brasil”, explicou Andrea.
A executiva acrescentou que não há risco de desabastecimento e que a companhia está preparada para acompanhar toda a jornada dos pacientes atendidos pelo programa. Para a Dra. Priscila, o potencial de crescimento da categoria permanece elevado. “Atualmente, apenas cerca de 2% das pessoas com obesidade no mundo recebem tratamento adequado. Existe uma demanda enorme ainda não atendida”, observou.
SUS segue avaliando incorporação
Questionada sobre a possibilidade de incorporação da semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS), a Dra. Priscila informou que a Novo Nordisk reapresentou a proposta para avaliação. “A rejeição anterior não ocorreu por falta de eficácia ou segurança da molécula. A discussão esteve relacionada exclusivamente ao impacto orçamentário que uma incorporação dessa magnitude teria para o sistema público”, esclarece.
Com a ampliação do acesso e o crescimento acelerado da categoria, a expectativa das empresas é consolidar a semaglutida como uma das principais alavancas de desenvolvimento do mercado farmacêutico nos próximos anos.
