AstraZeneca negocia fusão de US$ 400 bi com Bristol Myers Squibb
Se concretizado, o negócio dará origem à quarta maior farmacêutica do mundo em valor de mercado
por Adriana Bruno em
A farmacêutica britânica AstraZeneca negocia uma possível fusão com a americana Bristol Myers Squibb (BMS) em uma operação avaliada em cerca de US$ 400 bilhões (R$ 2,03 trilhões). Se concretizado, o negócio dará origem à quarta maior farmacêutica do mundo em valor de mercado, consolidando uma gigante global com forte presença em oncologia. As informações são do Financial Times.
As conversas vêm sendo conduzidas nos últimos meses e, segundo fontes próximas às negociações, um acordo pode ser anunciado em breve, embora ainda exista a possibilidade de as tratativas serem adiadas ou não avançarem.
Atualmente, a AstraZeneca está avaliada em aproximadamente US$ 264 bilhões (R$ 1,34 trilhão), enquanto a BMS possui valor de mercado próximo de US$ 133 bilhões (R$ 674,8 bilhões).
Após a divulgação da notícia, as ações da AstraZeneca chegaram a cair cerca de 7% em Londres, enquanto os papéis da BMS avançaram mais de 6% no pré-mercado em Nova York.
AstraZeneca busca atingir US$ 80 bi de receita até 2030
Uma eventual fusão fortaleceria a presença da AstraZeneca nos Estados Unidos, mercado responsável por quase metade de sua receita, e ampliaria sua liderança em terapias oncológicas. A operação também ocorre em um momento em que a companhia busca atingir US$ 80 bilhões (R$ 405,89 bilhões) em receita até 2030, frente aos US$ 58,7 bilhões (cerca de R$ 297,8 bilhões) registrados em 2025.
Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, que liderou a rejeição da oferta de aquisição da Pfizer em 2014, voltaria a conduzir uma das maiores transações da história da indústria farmacêutica. A companhia também vem ampliando seu pipeline por meio de acordos de licenciamento, principalmente na China.
Do lado da BMS, a fusão representaria uma alternativa para enfrentar a perda de receitas provocada pelo vencimento de patentes de medicamentos estratégicos e impulsionar o crescimento após a aquisição da Celgene, em 2019, considerada abaixo das expectativas por parte do mercado.
Apesar do potencial estratégico, especialistas avaliam que a operação deverá enfrentar intenso escrutínio regulatório, especialmente por causa da forte sobreposição entre os portfólios de oncologia das duas empresas.
Medicamentos como Imfinzi, da AstraZeneca, e Opdivo, da BMS, competem em importantes indicações para câncer de pulmão, o que pode gerar questionamentos das autoridades antitruste.
Se aprovada, a transação entrará para a lista das maiores fusões já realizadas no setor farmacêutico e poderá redesenhar o cenário competitivo global da indústria.