O Laboratório Cristália investiu cerca de R$ 58 milhões no desenvolvimento de uma substância inédita para o tratamento de overdoses causadas por medicamentos e drogas ilícitas.
Após concluir os estudos pré-clínicos, a farmacêutica prepara a documentação que será submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para obter autorização para iniciar os testes em humanos.
Batizado de Lipossoma de Resgate, o medicamento foi desenvolvido pelo Departamento de Nanotecnologia Farmacêutica da Universidade Federal de Goiás (UFG), em pesquisa liderada pela professora Eliana Martins Lima. O projeto teve início em 2018 e passou a contar com a parceria do Cristália em 2024, unindo a pesquisa acadêmica à estrutura industrial e regulatória da companhia.
Próxima etapa é a pesquisa clínica
Com os estudos em animais já concluídos, a companhia produz os lotes que serão utilizados na fase clínica e finaliza o dossiê regulatório que será encaminhado à Anvisa.
Segundo Rogério Almeida, vice-presidente de Desenvolvimento, Pesquisa & Inovação do Cristália, o primeiro estágio da pesquisa terá como objetivo comprovar a segurança da tecnologia. “Na primeira fase do estudo será verificada a segurança do medicamento. Só então partiremos para as fases seguintes, quando será avaliada a eficiência para retirar do organismo diferentes tipos de drogas. Inicialmente, elegemos a cocaína e a lidocaína para iniciar a pesquisa clínica”, afirma.
O Instituto Bairral de Psiquiatria participará da condução dos estudos clínicos com pacientes, conforme acordo de cooperação firmado entre as instituições.
Tecnologia busca remover substâncias tóxicas
Diferentemente das aplicações tradicionais da nanotecnologia farmacêutica, que utilizam nanopartículas para transportar medicamentos até o organismo, o Lipossoma de Resgate foi concebido para capturar substâncias tóxicas presentes na corrente sanguínea.
De acordo com Eliana Martins Lima, coordenadora da pesquisa, a ideia surgiu justamente da inversão desse conceito. “Em vez de utilizar essas nanopartículas para levar medicamentos ao organismo, decidimos empregá-las para remover substâncias nocivas da circulação”, explica.
Segundo a pesquisadora, a tecnologia poderá ser aplicada em diferentes situações de intoxicação aguda, incluindo overdoses por drogas ilícitas, uso excessivo de medicamentos, erros de administração e outras exposições a substâncias tóxicas.
Parceria une pesquisa e desenvolvimento industrial
As pesquisas que deram origem ao projeto começaram em 2018 na UFG. A parceria com o Cristália foi formalizada seis anos depois, permitindo o avanço da tecnologia para as etapas regulatórias e de desenvolvimento clínico.
Para Ogari Pacheco, presidente do Conselho do Cristália, a iniciativa representa um exemplo da integração entre universidade e indústria farmacêutica.
“Reunimos a experiência acadêmica da universidade pública com a capacidade industrial, regulatória e de desenvolvimento do Cristália para transformar uma pesquisa em uma solução inovadora que poderá beneficiar pacientes”, destaca.
