EXCLUSIVO: Geolab remodela estratégia para crescer além dos genéricos
Companhia acelera expansão em prescrição médica e especialidades com investimentos de até R$ 100 milhões anuais em P&D
por Adriana Bruno em
Os medicamentos genéricos continuam a ser o principal negócio da Geolab e respondem por aproximadamente 70% da operação da companhia. Mas a farmacêutica está transformando sua estratégia para avançar em outras categorias.
A empresa acelera um reposicionamento estratégico que combina investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), transformação digital, modernização industrial, fortalecimento da prescrição médica e expansão em especialidades. A meta é ampliar participação em mercados de maior valor agregado.
A mudança acontece apoiada em indicadores. Em 2026, a Geolab conquistou, pelo segundo ano consecutivo, os títulos de Melhor Fornecedor do Ano e Melhor Fornecedor na categoria Similares no Prêmio Abradilan Conexão Farma. Também consolidou a posição de segunda maior fabricante de colírios do Brasil, de acordo com levantamento da IQVIA de abril deste ano. Seu portfólio reúne 153 apresentações e a distribuição abrange 93 mil pontos de venda.
Segundo Georges Hajjar Jr, CEO da farmacêutica, a transformação é resultado de uma estratégia cultivada ao longo dos últimos anos. “A Geolab vem construindo uma trajetória consistente de crescimento, guiada pelo propósito de melhorar e prolongar vidas. Esse compromisso se traduz em investimentos contínuos em inovação e fortalecimento da nossa presença em todo o território nacional. Mais do que crescer, buscamos gerar valor para toda a cadeia de saúde”, ressalta.
Na avaliação do executivo, inteligência artificial, medicina personalizada, digitalização e novas plataformas tecnológicas devem acelerar a transformação da indústria farmacêutica, enquanto terapias voltadas às doenças crônicas, biológicos e biossimilares despontam como alguns dos principais vetores de crescimento.

P&D com reforço milionário
A Geolab destina atualmente cerca de 8% do faturamento anual para a área de PD&I, investimento estimado entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, sem considerar despesas com pessoal. A estrutura reúne 156 profissionais dedicados exclusivamente ao desenvolvimento de novos produtos e plataformas tecnológicas.
A estratégia concentra esforços em tecnologias capazes de aumentar a adesão aos tratamentos, como medicamentos de liberação prolongada, sistemas transdérmicos e microesferas injetáveis. “Muitas vezes a molécula funciona, mas o paciente abandona o tratamento. O problema não está no medicamento e sim na adesão”, argumenta Roberto Debom, conselheiro técnico científico de governança e diretor da área.
Segundo Debon, a empresa utiliza inteligência de mercado para identificar oportunidades relacionadas ao vencimento de patentes, medicamentos de alto custo e nichos terapêuticos com maior potencial de diferenciação.

Patentes reforçam a proteção da inovação
A inovação também avança na propriedade intelectual. A Geolab tem duas patentes depositadas e prepara outras duas relacionadas às plataformas tecnológicas em desenvolvimento.
Embora o processo de concessão possa levar entre oito e dez anos no Brasil, Debon ressalta que a proteção começa no momento do depósito. “A partir dessa etapa, qualquer uso indevido já pode ser contestado quando ela for concedida”, comenta. A expectativa é concluir os primeiros ciclos completos de desenvolvimento e protocolar novos registros na Anvisa em aproximadamente três anos.
GBio e a força na prescrição médica em oftalmologia
Uma das verticais de maior sucesso, a GBio completa quatro anos de atuação com resultados expressivos. “Já somos a quarta maior farmacêutica em prescrição na área oftalmológica e estamos na 10ª posição geral em prescrição médica”, declara Vagner Nogueira, diretor comercial e de marketing da unidade. O portfólio é composto atualmente por 17 produtos e a expectativa é encerrar 2026 com faturamento próximo a R$ 140 milhões.
O mercado de oftalmologia, segundo ele, movimenta cerca de R$ 4 bilhões no Brasil e movimenta também o segmento de medicamentos biológicos – como os voltados ao tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI), nicho no qual a GBio também avalia atuação futura. Em 2026, a unidade lançou dois novos produtos. Para os próximos cinco anos, a previsão é de dois lançamentos por ano, totalizando 12 novos produtos no período.

Entre os principais desafios da oftalmologia, Nogueira destaca o glaucoma e a barreira do diagnóstico tardio. Para enfrentar esse cenário, a GBio desenvolve um trabalho em parceria com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, com materiais voltados ao público para apoiar o diagnóstico.
Estratégia comercial sustenta a expansão
A transformação da Geolab não se limita ao desenvolvimento de novos medicamentos. A empresa aposta em uma força comercial própria superior a 100 profissionais. “Em parceria com distribuidores, mobilizamos mais de 7 mil vendedores, alcançando cerca de 400 mil balconistas em todo o país”, acrescenta Guilherme Guimarães, diretor comercial e de marketing.

Posicionamento estratégico
“Nossa evolução está diretamente conectada à missão da companhia Saúde e bem-estar transformando vidas. Seguiremos investindo em inovação, pessoas, excelência operacional e relacionamento com clientes e profissionais de saúde, para consolidar a Geolab como uma das principais indústrias farmacêuticas de capital nacional”, finaliza Georges Hajjar Jr.