Expo Cannabis projeta 50 mil visitantes em 2026
Evento amplia foco em negócios, inovação e pesquisa e chega à quarta edição com expectativa de recorde de público
por Adriana Bruno em
A Expo Cannabis Brasil 2026 chega à quarta edição consolidada como uma das principais plataformas de negócios da cadeia da cannabis na América Latina. Durante o lançamento oficial da feira, realizado na terça-feira, dia 22, no Consulado-Geral do Uruguai em São Paulo, organizadores e especialistas destacaram o amadurecimento do mercado brasileiro, os avanços regulatórios e o potencial da planta para impulsionar setores como a indústria farmacêutica.
Marcada para os dias 20, 21 e 22 de novembro, na São Paulo Expo, a feira prevê receber entre 47 mil e 50 mil visitantes. “É uma audiência duas vezes superior à da primeira edição, o que confirma o amadurecimento do setor”, acredita Larissa Uchida, CEO do evento.
Antes da abertura será realizado o Cannabis Business Hub, encontro voltado a empresários e investidores. Na sequência, a programação integrará cinco espaços de conteúdo – Fórum Internacional, Congresso Científico Dr. Elisaldo Carlini, workshops, Arena do Conhecimento e um lounge literário.
Mercado supera 1 milhão de pacientes
Durante o evento, o CEO da Kaya Mind, Thiago Cardoso, revelou que o Brasil ultrapassou pela primeira vez a marca de 1 milhão de pacientes em tratamento com cannabis medicinal. “No entanto, o Brasil tem potencial para alcançar cerca de 6,9 milhões de pessoas, graças ao impacto de mudanças regulatórias como as promovidas pela Anvisa no início do ano.
O executivo acrescenta que a autorização para cultivo com limite de 0,3% de THC representa apenas o primeiro passo para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. “A autorização está diretamente relacionada ao fornecimento de matéria-prima para a indústria farmacêutica. Mas ainda precisamos responder a diversas perguntas. O que será feito com o caule da planta? Com as fibras?”, questiona.
Cooperação regional e pesquisa
A cônsul-geral do Uruguai em São Paulo, María Noel Reyes, ressaltou a experiência do país sul-americano após mais de uma década de regulamentação da cannabis.
Já Mercedes Ponce de León, cofundadora da Latinnabis e da Expo Cannabis Uruguay, defende uma maior cooperação continental tendo como âncora os atributos dos dois países. “O Brasil é o principal motor de crescimento do mercado latino-americano, enquanto o Uruguai reúne capacidade produtiva e know-how para apoiar a expansão regional”, argumenta.
Representando a Embrapa, a pesquisadora Daniela Bittencourt informou que a instituição estruturou um programa de pesquisas para os próximos 12 anos. “As novas normas da Anvisa criam condições para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva nacional baseada em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade”, reforça.