Papel da farmácia como polo de saúde ganha evidência no Abrafarma Future Trends
Presença de ministro Alexandre Padilha e da Anvisa realça relevância das grandes redes como canais de atenção primária
por Adriana Bruno em e atualizado em
O Abrafarma Future Trends 2026 abriu sua programação reunindo representantes do governo, do varejo farmacêutico, da indústria e de outros segmentos da cadeia de saúde para discutir as transformações que devem moldar o setor nos próximos anos. A edição também marca os 35 anos da Abrafarma, em um cenário de avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e novas demandas para as farmácias.
A cerimônia de abertura começou com a participação da Família Lima. Em seguida, Marcelo Cançado, presidente do Conselho Diretivo da Abrafarma, destacou a trajetória da entidade e a evolução do varejo farmacêutico brasileiro. Segundo ele, as farmácias deixaram de atuar exclusivamente como estabelecimentos de dispensação para assumir uma posição estratégica no sistema de saúde.
“A farmácia brasileira deixou de ser apenas um estabelecimento de dispensação de medicamentos para se consolidar como um dos principais pilares da atenção primária da saúde”, reafirma.
Cançado ressaltou que milhões de brasileiros encontram nas farmácias o primeiro contato com o sistema de saúde, seja por meio da orientação farmacêutica, da vacinação, de exames rápidos ou de outros serviços. “Somos muitas vezes a porta de entrada do cidadão para o sistema de saúde”, pontua.
Tecnologia exige responsabilidade
O dirigente também chamou atenção para o impacto da inteligência artificial, das plataformas digitais e dos novos modelos de negócios sobre a jornada de compra e o acesso à saúde. “Devemos viver uma revolução tecnológica sem precedentes”, destaca.
Na avaliação de Cançado, a transformação abre oportunidades para ampliar o acesso, aumentar a eficiência e melhorar a experiência do consumidor. O avanço, porém, precisa ser acompanhado de responsabilidade sanitária e respeito às regras que regem a comercialização de produtos de saúde. “Quando falamos de saúde em nossas casas, inovação e responsabilidade precisam caminhar lado a lado.”
O dirigente também relacionou o cenário de transformação à reforma tributária, apontando a necessidade de adaptação das empresas e de segurança jurídica para os diferentes agentes do setor. “A implementação da reforma tributária representa uma das maiores mudanças estruturais das últimas décadas e exigirá capacidade de adaptação e permanente segurança jurídica para todos os agentes do setor”, comenta.
Ao projetar os próximos anos, Cançado defendeu a manutenção do diálogo entre governo, indústria, varejo, academia e especialistas. “O futuro não acontece por acaso. Ele é construído pelas decisões que tomamos hoje”, enfatiza.
Ministro da Saúde compartilha novidades sobre Farmácia Popular
Um dos destaques do primeiro dia foi a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que colocou o Farmácia Popular no centro das discussões sobre acesso à saúde e parceria com o varejo farmacêutico.
Padilha ressaltou que a participação da rede privada foi determinante para ampliar a capilaridade do programa desde sua criação. “Foi isso que permitiu que o Farmácia Popular pudesse chegar em cada canto do país”, destacou.
Segundo o ministro, o modelo de parceria com as farmácias privadas tornou o programa uma referência pela capacidade de levar medicamentos gratuitamente ou subsidiados a diferentes regiões brasileiras.
A participação de Padilha também marcou a apresentação de uma nova etapa para o programa. O ministro citou uma nova portaria publicada no Diário Oficial da União, com mudanças nas regras de credenciamento e recredenciamento das farmácias.
Entre os objetivos estão ampliar a presença do Farmácia Popular em municípios que ainda apresentam baixa cobertura e permitir novas adesões em localidades que já contam com estabelecimentos participantes. A estratégia inclui ainda o aprimoramento dos mecanismos de monitoramento das farmácias credenciadas, com o uso de ferramentas de inteligência artificial.
Governo quer modernizar o programa
Mais do que ampliar a quantidade de farmácias participantes, Padilha sinalizou uma agenda de modernização do Farmácia Popular, aproveitando a capilaridade do varejo para incorporar novos serviços de saúde.
Entre as possibilidades apresentadas estão novos modelos de acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, vacinação, exames e ferramentas digitais. A proposta é utilizar a estrutura das farmácias como um ponto adicional de apoio à atenção primária.
O ministro também defendeu a construção conjunta dessas iniciativas com representantes do varejo e da indústria, em uma agenda voltada à criação de novos modelos de atendimento. “Vamos construir juntos esse trabalho para que possamos ter novas soluções em saúde”, ressaltou.
Varejo como parte da estratégia de saúde
Oferta ampliada e novos mercados fortalecem estratégia do varejo
A ampliação do portfólio e a expansão para cidades menores aparecem como caminhos estratégicos para aumentar a relevância das farmácias junto aos consumidores. Segundo Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, quanto maior a variedade de produtos e serviços disponíveis, maior a capacidade do estabelecimento de atender diferentes necessidades em uma única jornada de compra.
O executivo também destaca o potencial de crescimento em mercados ainda menos atendidos. A estratégia contribui para ampliar a presença nacional e alcançar diferentes perfis de consumidores. “Existe um espaço importante para avançarmos nas cidades menores. A expansão para esses mercados contribui para ampliar a cobertura nacional e levar cada vez mais serviços e produtos farmacêuticos a diferentes perfis de consumidores”, projeta.
A transformação dos hábitos de consumo também exige uma estratégia integrada entre os diferentes canais. Mesmo com a forte participação do digital, as lojas físicas continuam desempenhando papel importante na experiência do consumidor. “O digital já representa 65% das vendas, mas as lojas físicas continuam muito relevantes. O consumidor transita entre os canais e busca conveniência, variedade e acesso a novidades”, conta.