Tecnologia preditiva ajuda farmácias a evitar ruptura sazonal
Cruzamento de dados históricos e de mercado antecipa picos de demanda e transforma sazonalidade em oportunidade de venda
A ruptura de estoque em períodos sazonais — como o inverno, marcado pelo aumento da procura por produtos relacionados às síndromes gripais, ou o verão, quando cresce a demanda por protetores solares e dermocosméticos — é uma dor recorrente para o varejo farmacêutico. Nesse cenário, a análise preditiva surge como uma ferramenta para apoiar o gestor na antecipação dos movimentos de consumo e no planejamento das compras.
Oscar Ferauche, product owner do Cosmos Pro, divisão de negócios da Procfit, explica que o cruzamento de dados históricos de vendas com informações de mercado permite identificar comportamentos de demanda e antecipar períodos de maior procura. A estratégia busca reduzir tanto o risco de falta de produtos quanto o excesso de estoque, especialmente em categorias influenciadas por fatores sazonais.
Embora o time de compras já realize o acompanhamento dos níveis de estoque e do histórico de vendas, a sazonalidade acrescenta uma variável que exige maior capacidade de antecipação. “A análise preditiva permite antecipar-se a períodos específicos, como festividades ou mudanças climáticas, garantindo que produtos com alta procura sazonal estejam disponíveis para o consumidor no momento certo”, explica Ferauche.
Sazonalidade também é oportunidade de venda
O planejamento baseado em dados não está restrito à disponibilidade dos itens que apresentam aumento de demanda em determinadas épocas do ano. A análise do comportamento de compra também pode apoiar a identificação de oportunidades de vendas agregadas, aproveitando o momento de maior procura por determinadas categorias.
“Além de atender à demanda óbvia de um produto sazonal, como um antigripal, é possível oferecer itens complementares, como vitamina C, aproveitando a procura do momento”, pontua Ferauche.
Nesse processo, o histórico de vendas e os dados de comportamento do consumidor passam a integrar a rotina de planejamento do varejo. A partir dessas informações, o gestor consegue avaliar não apenas quais produtos precisam estar disponíveis, mas também quais categorias podem ser trabalhadas de forma complementar durante os períodos de maior demanda.
Como funciona a análise preditiva na prática
Para colocar a análise preditiva em prática, o gestor precisa contar com sistemas capazes de armazenar o histórico de vendas e identificar os picos de demanda registrados ao longo do tempo. Essas ferramentas permitem projetar necessidades futuras de compra e apoiar a definição da cobertura de estoque para diferentes períodos.
O histórico também contribui para evitar compras realizadas em momentos de maior pressão sobre a oferta, quando determinados produtos podem apresentar preços mais elevados. Da mesma forma, permite reduzir o risco de falta de mercadorias durante períodos de maior procura, contribuindo para um planejamento de abastecimento ao longo do ano.
A demanda, entretanto, não se comporta de maneira uniforme entre as lojas. O perfil de consumo pode variar de acordo com a localização da unidade, o que torna necessário considerar tanto o histórico próprio quanto o comportamento registrado na região. Para essa comparação, Ferauche recomenda o uso de plataformas de dados de mercado como IQVIA, Close-UP International e Nielsen.
Essas informações ajudam o gestor a identificar produtos que não estão sendo vendidos ou que apresentaram falta em períodos anteriores quando comparados à tendência observada na região. O cruzamento permite ampliar a visão sobre o comportamento de determinadas categorias e complementar os dados internos da farmácia.
Segundo o executivo, o fluxo de trabalho preditivo envolve analisar os resultados internos, integrar dados externos de mercado e cruzar essas informações dentro do sistema de gestão. “É fundamental alimentar o ERP corretamente e utilizar ferramentas de recomendação de compra, como o ‘Minha Melhor Compra’, para transformar esse cruzamento de dados em aquisições mais assertivas”, afirma.
O excesso de estoque também é um risco
A tecnologia preditiva, reforça Ferauche, não deve ser utilizada apenas com o objetivo de evitar a ruptura. O excesso de compra também representa um risco para a operação, ao manter produtos parados e gerar impactos financeiros para o negócio.
Nesse contexto, o uso de indicadores comerciais, como o chamado “Triple A”, permite avaliar a necessidade real de cobertura de estoque e verificar se uma ruptura registrada no sistema de fato ocorreu ou se o produto estava disponível. A informação ajuda a qualificar a leitura dos dados antes da tomada de decisão de compra.
Para o executivo, a tecnologia fornece o caminho para estruturar esse processo, mas a prevenção de rupturas e excessos começa no próprio setor de compras. “O processo de compras é um ciclo contínuo de análise de vendas e abastecimento. A qualidade dos dados refinados e a capacidade das ferramentas de absorvê-los são determinantes para a assertividade final”, finaliza.