Autocuidado ganha as farmácias e movimenta R$ 27,7 bilhões
Mercado de wellness cresce 9,3% no Brasil, enquanto suplementos esportivos avançam 30%
por Adriana Bruno em
O mercado de autocuidado vem ampliando sua participação no canal farma e já movimenta R$ 27,7 bilhões no Brasil. O valor corresponde ao mercado de Wellness nos 12 meses encerrados em julho de 2026 (MAT 07/26), com crescimento de 9,3% em relação ao período anterior.
Atualmente, o segmento representa aproximadamente 24% das vendas combinadas de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) e produtos não medicamentosos (NMED) nas farmácias. Os dados são da Close-Up International – Retail Market (RM), com base em julho de 2026 e vendas em reais ao consumidor.
Para Cibele Zanotta, presidente executiva da Acessa, os números refletem uma mudança na relação dos brasileiros com a própria saúde, marcada por maior participação nas decisões relacionadas à prevenção, ao bem-estar e ao cuidado cotidiano.
“O autocuidado vem ganhando espaço na rotina do brasileiro, associado a uma postura mais ativa em relação à prevenção, ao bem-estar e ao cuidado cotidiano com a saúde”, afirma em entrevista exclusiva ao Panorama Farmacêutico.
Vitaminas e suplementos ganham relevância
Entre as categorias de wellness, vitaminas e minerais concentram a maior participação, com 31,8% das vendas, e registraram crescimento de 7,1% no MAT 07/26 ante o MAT 07/25.
Já os suplementos representam 18,7% do mercado de wellness e avançaram 12,4% no mesmo período.
No mercado mais vasto de consumer healthcare, vitaminas e suplementos também ampliam sua presença. Segundo Filipe Campos, líder de Market Insights da Close-Up International, a expansão do segmento continua sustentada principalmente por reajustes de preços e inovação. “Consumer heslth care cresce por preço e lançamentos. Beleza e cabelo recuam em volume, enquanto dermocosméticos avançam impulsionados por novos produtos”, diz.
Os dados mostram que essas categorias respondem por 12,7% das vendas de MIPs + NMED, com crescimento de 9,0% nos últimos 12 meses. Em outro recorte mencionado pela Acessa, acumulado até julho de 2026, elas representam cerca de 12,5% do mercado, com crescimento de 9,5% frente ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a executiva da Acessa, a evolução está relacionada a uma mudança de comportamento do consumidor. “A tendência é que o interesse por vitaminas e suplementos continue relevante, acompanhando uma mudança de comportamento em que as pessoas assumem uma postura mais ativa em relação à própria saúde”, destaca.
Para ela, a continuidade desse movimento deve estar associada à informação de qualidade, para que o consumidor compreenda a finalidade, o uso adequado e os limites de cada produto.
Suplementos esportivos avançam 30%
Um dos principais destaques do mercado é o desempenho dos suplementos esportivos. O segmento movimentou aproximadamente R$ 1,23 bilhão no MAT 07/26, alta de 30% em relação ao período anterior.
Em quatro anos, o mercado saltou de aproximadamente R$ 294 milhões para R$ 1,23 bilhão. Entre as categorias que mais se destacaram no último período estão creatina, com crescimento de 35,9%; proteínas, com 34,8%; e barras de proteína, com 22,2%.
O avanço ocorre em um cenário no qual prevenção, bem-estar e atividade física passam a integrar de forma mais ampla a jornada de autocuidado.
Canetas emagrecedoras ampliam a jornada de cuidado
Outro movimento acompanhado pela Acessa é o avanço das canetas emagrecedoras e seus possíveis reflexos sobre categorias relacionadas ao autocuidado.
De acordo com Cibele Zanotta, esses medicamentos podem influenciar o consumo de vitaminas, suplementos e produtos associados à alimentação e à prática de atividade física. “As canetas emagrecedoras estão provocando mudanças que vão além do mercado de medicamentos para obesidade. Elas podem influenciar toda uma jornada de cuidado relacionada à alimentação, prática de atividade física, suplementação e acompanhamento da saúde”, afirma.
A executiva ressalta, porém, que ainda é cedo para dimensionar definitivamente os impactos sobre as diferentes categorias. Na avaliação da Acessa, o uso desses medicamentos deve estar inserido em uma jornada mais ampla, com orientação profissional, informação de qualidade e hábitos saudáveis.
Farmácias ampliam espaço na jornada de autocuidado
O crescimento do wellness também reforça a importância das farmácias e drogarias dentro da jornada de saúde do consumidor. Para a Acessa, a proximidade desses estabelecimentos com a população cria oportunidades para ampliar sua atuação por meio de serviços, orientação farmacêutica e informação qualificada.
“O autocuidado amplia a participação das pessoas na gestão da própria saúde e cria uma relação mais próxima com os estabelecimentos que fazem parte dessa jornada”, afirma Cibele.
Os próprios números dimensionam esse movimento – o mercado de wellness representa 23,6% das vendas de MIPs e não medicamentos no acumulado até julho de 2026. “Wellness deixou de ser uma categoria de consumo e passou a ser uma plataforma de prevenção e longevidade”, comenta Natália Soares, gerente de estratégia de negócios da Close-Up International.
Já Cibele Zanotta afirma que fortalecer o autocuidado também passa pelo letramento em saúde, permitindo que a autonomia do consumidor seja acompanhada de escolhas conscientes e responsáveis. “Fortalecer o autocuidado significa contribuir para uma população mais informada e participativa no cuidado com a própria saúde, sempre reconhecendo a importância da orientação dos profissionais de saúde quando necessária”, finaliza.