Farmácias regionais avançam na digitalização integrada
Case da Maxifarma mostra como unificação de WhatsApp, site, estoque e lojas no mesmo processo pode ampliar vendas e melhorar posicionamento da marca
A digitalização já impacta a operação e a estratégia comercial das farmácias, que passam a integrar WhatsApp, sites, aplicativos e lojas físicas para ampliar vendas e aproveitar melhor os estoques.
O movimento também ganha espaço entre redes associativistas, como mostra o case da Maxifarma. “A rede estruturou uma operação online 360º para fortalecer a presença da bandeira e ampliar os pontos de contato com o consumidor”, reforça Gabriel Ribeiro, CEO da Retail On e especialista do Panorama Farmacêutico.
Comece pelo canal mais acessível
Para farmácias que ainda não iniciaram a digitalização, Ribeiro orienta começar de maneira gradual. “O primeiro passo é venda no WhatsApp. Esse é o melhor canal para você entender seu consumidor”, acredita. O especialista também recomenda presença em diferentes plataformas, com uma finalidade específica para cada uma.
Gláucio Almeida, proprietário de duas lojas Maxifarma, confirma a estratégia a partir de sua experiência. “Iniciamos o WhatsApp com entrega a custo zero. A operação existe há dois anos e meio e hoje o canal já representa quase 15% do nosso faturamento”, conta.
Integre estoque e canais de venda
A gestão de estoque é outro ponto diretamente relacionado à operação digital. A integração entre lojas permite utilizar a disponibilidade de uma unidade para atender uma demanda que não poderia ser suprida por outra.
Para Almeida, a implantação também trouxe maior atenção à operação. “Depois que fizemos alguns testes, eu comecei a cuidar mais do meu estoque e fazer balanços e conferências com mais dinamismo”, comenta.
Defina a função de cada canal
A estratégia digital exige atenção à precificação.Ribeiro recomenda considerar as características e os custos de cada plataforma para evitar competição interna. “Você não pode concorrer contra você mesmo”, afirma. De acordo com ele, o aplicativo pode ser direcionado à fidelização e à comunicação, e o site, à descoberta, enquanto marketplaces e aplicativos de terceiros facilitam o acesso a consumidores que já utilizam essas plataformas.
Na formação do preço, a orientação é estabelecer primeiramente o valor desejado e incorporar os custos específicos de cada operação.
Use o digital para elevar o tíquete
A operação online também pode contribuir para elevar o tíquete médio e trabalhar categorias de maior margem. Almeida relata que, em suas lojas, o tíquete médio físico está entre R$ 50 e R$ 52, enquanto no WhatsApp chega a R$ 130. “O cliente compra mais no online. Então, esse equilíbrio é fundamental. Uma farmácia hoje não vive só de medicamento”, comenta.
Ribeiro cita estratégias como frete grátis a partir de determinado valor, complementação de carrinho e ofertas direcionadas para estimular a inclusão de outros produtos. “A estratégia consiste em oferecer frete grátis a partir de R$ 150. Com isso, o consumidor que gastou cerca de R$ 110 ou R$ 120 tem a percepção de que com mais R$ 30 ele não pagará o frete”, exemplifica.
Use dados para fidelizar
O aplicativo pode assumir uma função estratégica na fidelização. Além das compras, a ferramenta permite trabalhar cashback, pontuação, carteira de benefícios e comunicação por push. “Todo cliente que você convence a baixar o aplicativo da farmácia apresenta uma taxa de venda muito maior do que aquele que acessa por outros canais”, atesta Ribeiro.
Fortaleça a bandeira
No projeto da Maxifarma, a integração digital também foi estruturada para fortalecer a marca. A proposta é que o consumidor reconheça a bandeira como uma operação única, mesmo quando o atendimento ou a retirada estejam vinculados a lojas diferentes. Para Ribeiro, a digitalização deve ser acompanhada pela manutenção da experiência presencial. “O que não se pode perder jamais é o relacionamento e, nesse quesito, temos que sempre evoluir”, finaliza.