Rivotril sublingual volta às farmácias após um ano
Apresentação de 0,25 mg voltou às prateleiras em outubro, após atraso no cronograma de regularização
por Gabriel Noronha em e atualizado em
O Rivotril (clonazepam) sublingual de 0,25 mg voltou às farmácias brasileiras em outubro, após cerca de um ano de desabastecimento. A retomada foi verificada pela reportagem da Folha junto às principais redes do país e confirmada pela Biopas Brasil Produtos Farmacêuticos, responsável pela comercialização do medicamento.
O retorno ocorreu depois do prazo inicialmente previsto pela fabricante, que estimava normalizar a distribuição da apresentação sublingual no primeiro semestre de 2026.
A falta do medicamento foi noticiada em setembro de 2025, quando farmácias de diferentes regiões do país também enfrentavam dificuldades para obter a versão em gotas.
Rivotril teve produção transferida para a Europa
Na ocasião, a Biopas atribuiu o desabastecimento à transferência da produção para unidades industriais europeias. A fabricação da solução oral em gotas passou para a Itália, enquanto a dos comprimidos sublinguais de 0,25 mg e dos comprimidos convencionais de 2 mg foi transferida para a Espanha.
A previsão era normalizar o fornecimento da versão em gotas no mesmo ano e o da apresentação sublingual até junho de 2026. A distribuição das gotas foi retomada em março deste ano, mas os comprimidos sublinguais permaneceram em falta até outubro.
Uso exige prescrição e acompanhamento médico
A venda do Rivotril exige receita médica com retenção na farmácia. Como outros benzodiazepínicos, o medicamento pode causar tolerância e dependência, especialmente com o uso prolongado.
Embora contenham o mesmo princípio ativo, as diferentes apresentações não devem ser substituídas automaticamente. A dose, a forma de administração e as características de absorção precisam ser avaliadas pelo profissional responsável pelo tratamento.
“Quando há a necessidade de trocar do original para o genérico ou para um similar, recomendo escolher uma única marca e continuar comprando os produtos desse mesmo laboratório. Isso é importante porque ficar variando entre eles pode afetar a eficácia e a tolerância do paciente”, explica Tânia Ferraz Alves, psiquiatra e diretora de unidades de internação do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HCFMUSP).