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Ações de IPO estão aquecidas mesmo durante período de pandemia

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Mesmo com a crise pandêmica, as ações de Oferta Pública Inicial (IPO – sigla em inglês), estão aquecidas no mercado financeiro. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de Minas Gerais (IBEF-MG), Júlio Damião, que aponta a preparação dos empresários mesmo em tempos de pandemia, desemprego e incerteza na economia.

‘Setores imobiliários, principalmente os ligados à saúde, estão com desempenho positivo neste momento. A tendência é que com a abertura das IPOs cresçam as oportunidades’, elenca.

Mas você sabe o que é uma IPO?

O professor de finanças coorporativas de pós-graduação em controladoria e contabilidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Wagner Moura Lamounier, explica que Ofertas Públicas Iniciais (IPO) é o evento que marca a primeira venda de ações de uma empresa e, posteriormente, o início de negociação dessas ações em bolsa de valores.

‘Essa operação pode ocorrer por meio de uma distribuição primária, de uma distribuição secundária ou de uma combinação entre as duas’, salienta.

O professor explica ainda que a distribuição primária acontece quando é realizada a emissão de novas ações/cotas de fundos de investimento, que serão ofertadas ao mercado com ingresso de recursos no próprio emissor da oferta.

‘Na distribuição primária, a empresa emite e vende novas ações ao mercado. No caso, o vendedor é a própria Companhia e, assim, os recursos obtidos na distribuição são canalizados para o caixa da empresa’, reforça Wagner Lamounier.

Na distribuição secundária quem vende as ações é o empreendedor e/ou algum de seus atuais sócios. São ações existentes que estão sendo vendidas.

‘Como os valores arrecadados irão para o vendedor, ele é que receberá os recursos, e não a empresa. Independentemente de a distribuição ser primária ou secundária, neste momento, com os compradores das ações, a empresa amplia o seu quadro de sócios. Os investidores passam então a ser seus parceiros e proprietários de um pedaço da empresa’, complementa o professor.

A decisão de investir em uma IPO, de acordo com o professor Wagner Lamounier, depende do momento vivido pela empresa. Depende ‘da economia do país, do investimento que a empresa busca para aquele momento, do avanço no mercado das ações. Além de ser a porta de entrada das empresas para o mercado das ações’, explica.

Segundo o professor Lamounier, muitos investidores, no Brasil, esperam o momento certo para consolidar a venda. ‘Neste momento é avaliado o melhor preço, num momento de crise eventual, a melhoria dos indicadores, a parte da baixa taxa de juros, também é levado em consideração’, orienta.

A expectativa, de acordo com o professor da UFMG, é que pós-pandemia e com a volta da estabilidade econômica as IPOs cresçam muito mais no mercado financeiro. ‘A expectativa é de crescimento com o valor controlado, principalmente, de muitas empresas que estão retraídas neste momento. Setores como Turismo, Transportes, os que mais sofrem neste momento pandêmico, devem voltar a todo vapor no mercado das ações’, opina

Neste momento, de acordo com Lamounier, os setores que estão em alta no Brasil são os de Saúde, Laboratórios e Indústria Farmacêutica.

Em Minas, a Rede Mater Dei colhe o sucesso de ter optado por uma IPO para entrar no mercado das ações. A empresa participou do pregão da bolsa de valores em abril deste ano e teve saldo positivo.

‘A organização estava madura, vem crescendo e vai potencializar a plataforma consolidada de hospitais em ações negociadas na bolsa de valores’, explica o presidente do Mater Dei, Henrique Salvador.

Ainda de acordo com o presidente do Mater Dei, Henrique Salvador, os 41 anos de tradição da empresa foram o diferencial para o resultado positivo, já que a projeção futura não teve bons resultados.

‘No segundo trimestre de 2020 sofremos muito com a queda das cirurgias eletivas que fugiram dos hospitais devido à Covid-19. Mesmo com a projeção para 2021, o mercado ainda em crise, as margens porcentuais baixas, a grande dificuldade de estabilidade econômica e a política, valia a pena apostar no Mater Dei’, salienta.

Henrique Salvador completa avaliando que, agora, no mercado das ações, a rede hospitalar tende a crescer. ‘Somos uma empresa genuinamente mineira, e a perspectiva é de crescimento acelerado e de construir cada vez mais uma unidade de saúde robusta e que preste serviço em outros Estados. Vamos inaugurar agora em Salvador, na Bahia, no primeiro trimestre do ano que vem, nossa unidade fora de Minas Gerais. E planejamos mais qualidade para os pacientes e mais unidades de saúde’, reforça.

Para o ex-diretor da Comissão de Valores Monetários (CVM), Gustavo Gonzalez, as ações de IPOs também são importantes para ampliar e diversificar os setores que participam do acesso ao mercado financeiro. ‘Isso faz a diferença no mercado das ações. Quanto mais empresas podem fazer ofertas, mais diversificado fica o mercado’, explica.

Ainda de acordo com Gonzalez, mesmo com a pandemia, muitas empresas investiram nas IPOs. ‘Com juros estabilizados, mantendo postura ativa na concessão dos números, inclusive no ano anterior, o mercado apresenta muita oferta, com investimento estrangeiro bom para os IPOs’, opina.

Fonte: Diário do Comércio MG

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