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Argentina ameaça romper contrato da Sputnik V por atrasos na entrega

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O governo argentino tem pressionado o Fundo Russo de Investimento Direto por atraso no fornecimento da vacina Sputnik e chegou a ameaçar suspender o contrato. A informação foi revelada pelo jornal La Nación, que publicou nesta 4ª feira (22.jul.2021) um e-mail enviado no dia 7 de julho pela assessora presidencial Cecilia Nicolini à cúpula do fundo. Eis a íntegra (168 KB) do documento, em inglês.

No texto, a assessora do governo de Alberto Fernández diz que a situação é ‘crítica’. Segundo ela, o Fundo Russo teria deixado de entregar mais de 18,7 milhões de doses, sendo 5,5 milhões para a aplicação da 1ª dose e 13,1 milhões para aplicação da 2ª dose.

‘A essa altura o contrato inteiro corre risco de ser publicamente cancelado’, pressiona. ‘Nós entendemos a escassez e a dificuldade de produção alguns meses atrás. Mas agora, 7 meses depois, nós ainda estamos muito atrasados, enquanto começamos a receber doses de outros fornecedores regularmente, com cronogramas que atendem às nossas necessidades.’

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Nicolini menciona ainda que o governo argentino têm enfrentado processos devido à falta de vacinas. ‘Vocês estão nos deixando com pouquíssimas opções para continuar lutando por vocês e por esse projeto. Como eu também já mencionei, nós, enquanto autoridades públicas, estamos enfrentando ações legais devido aos atrasos nas entregas, colocando em risco nosso governo’, diz ao final do e-mail.

A Argentina foi o 1º país da América Latina a aprovar o uso emergencial da Sputnik em dezembro de 2020. O contrato firmado previa entrega de cerca de 30 milhões de doses. Segundo o jornal La Nación, a vacina russa é a ‘aposta mais contundente’ do plano de imunização argentino.

De acordo com o britânico The Guardian, o país está testando misturar vacinas para substituir as doses atrasadas da Sputnik. O país também aplica os imunizantes da AstraZeneca e da Sinopharm.

A Argentina é o 11º país com mais mortes por milhão por covid-19 no mundo, segundo o ranking atualizado diariamente pelo Poder360. Até às 18h06 desta 5ª feira (22.jul), o país tinha 102.818 vítimas ao todo da pandemia, com 2.253 mortes a cada milhão de habitantes.

No Brasil, o contrato de compra da Sputnik também corre o risco de ser rompido, bem como o da Covaxin. Segundo publicado pelo jornal Valor Econômico, o Ministério da Saúde apenas aguarda a conclusão de análises jurídicas para fazer o anúncio.

Segundo a publicação, o órgão deve afirmar que a vacinas não conseguiram aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para justificar a rescisão dos contratos. É o que tem afirmado o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Segundo ele, o Brasil não precisa das doses dos imunizantes para vacinar todos os adultos até o fim de 2021.

A agência autorizou no dia 4 de junho a importação dos imunizantes em caráter excepcional e temporário, com restrições, mas não deu aprovação para uso emergencial. De acordo com o órgão, ‘os aspectos de qualidade, segurança e eficácia da vacina foram atestados por meio do registro concedido pela autoridade sanitária da Rússia’.

Frente ao cenário de instabilidade em relação à vacina, os governadores do Nordeste têm pressionado o Ministério da Saúde para formalizar uma posição sobre a inclusão do imunizante no PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Ao Poder360, o Ministério da Saúde afirmou que os contratos da Sputnik e da Covaxin ‘seguem em análise’.

Fonte: Poder 360

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