O Brasil vem consolidando sua posição como um dos mercados mais promissores para pesquisa clínica global. Segundo dados apresentados pela Interfarma na BIO International Convention, o país avançou da 18ª para a 12ª posição no ranking mundial de estudos clínicos iniciados, refletindo os primeiros efeitos do novo marco legal do setor.
O levantamento, desenvolvido em parceria com a IQVIA, mostra que o Brasil registrou 51 novos estudos clínicos nos primeiros meses de 2026, equivalente a 2,9% do total global — o melhor desempenho da série histórica recente.
O movimento reforça uma trajetória de crescimento contínuo desde 2021, quando o país passou a integrar o ranking internacional. Segundo Renato Porto, presidente executivo da Interfarma, os resultados apresentados agora mostram que o Brasil está consolidando sua posição como um destino estratégico para pesquisa clínica. “O avanço no ranking global da 19ª para a 12ª posição e o crescimento da participação do país de 2,3% para 2,9% demonstram que as mudanças implementadas nos últimos anos começam a produzir efeitos concretos na atração de estudos e investimentos”, comenta
Marco legal impulsiona competitividade
A evolução é atribuída principalmente à modernização do ambiente regulatório. Após a aprovação do marco legal de pesquisa clínica, o país passou a adotar processos mais previsíveis e eficientes, com maior segurança jurídica para patrocinadores e centros de pesquisa.
Segundo a Interfarma, a expectativa é que o Brasil alcance a 10ª posição global em até cinco anos, com potencial de atrair cerca de R$ 2,1 bilhões anuais em investimentos diretos e gerar impacto econômico estimado em R$ 6,3 bilhões por ano. O estudo também projeta benefícios para aproximadamente 286 mil pacientes e a mobilização de 56 mil profissionais no ecossistema de pesquisa.
Eficiência regulatória avança
Entre os principais avanços operacionais está a adoção de análise paralela entre avaliação ética e regulatória, o que reduziu etapas e acelerou a aprovação de estudos.
No período entre novembro de 2025 e março de 2026, os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) acreditados emitiram 1.965 pareceres, com cerca de 90% das análises documentais e mais de 93% dentro dos prazos legais. O tempo médio de tramitação caiu de 53 para 39 dias úteis no período, indicando ganho de eficiência do sistema.
Atualmente, o Brasil conta com 915 CEPs, mas apenas oito são acreditados no novo modelo regulatório, todos em São Paulo. Na esfera sanitária, a Anvisa registrou crescimento de 11,7% nos Dossiês Específicos de Ensaios Clínicos (DEECs) em 2025 e eliminou o passivo regulatório, ampliando a capacidade de análise.
Brasil ganha relevância global
Apesar da retração global de 26,6% nos estudos clínicos desde 2021, o Brasil apresentou queda menor, de 18,2%, o que contribuiu para a melhora de sua posição relativa no cenário internacional.
A participação brasileira em estudos globais subiu de 2,2% em 2022 para 2,5% em 2025, chegando a 2,9% em 2026. Para a Interfarma, o desempenho reflete um ambiente regulatório mais competitivo e alinhado a padrões internacionais.
Vantagens estruturais sustentam crescimento
Além do avanço regulatório, o país mantém vantagens estruturais importantes, como grande diversidade populacional, escala de pacientes e custos competitivos em relação a mercados como Estados Unidos, França, Coreia do Sul, México e Argentina.
Esses fatores ampliam o interesse de empresas globais, especialmente para estudos multicêntricos em diferentes áreas terapêuticas. Atualmente, cerca de 93% dos ensaios clínicos no Brasil contam com cooperação internacional.
Indústria farmacêutica lidera investimentos
As empresas associadas à Interfarma respondem pela maior parte dos estudos clínicos conduzidos no país e seguem ampliando investimentos em pesquisa, infraestrutura e capacitação de profissionais.
O movimento contribui para fortalecer centros de pesquisa e ampliar o acesso de pacientes brasileiros a terapias inovadoras. Em paralelo, o cenário global segue aquecido, com US$ 82 bilhões captados por empresas biofarmacêuticas em 2025 e US$ 174 bilhões investidos pelas 15 maiores farmacêuticas globais em P&D.
Para Porto, o avanço da pesquisa clínica no Brasil demonstra que é possível combinar segurança para os participantes, qualidade científica e um ambiente atrativo para inovação. “Quanto maior a inserção do país nos estudos globais, maior também é a nossa capacidade de gerar conhecimento, desenvolver competências locais e contribuir para que novas terapias cheguem mais rapidamente aos pacientes”, finaliza.
