Canetas de semaglutida acirram disputa nas farmácias
Com seis medicamentos aprovados, categoria ganha novos fabricantes e amplia possibilidades de estratégias comerciais no varejo
por Adriana Bruno em e atualizado em
Após a chegada do Ozivy, da EMS, a Anvisa autorizou, em julho, mais cinco opções: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Com seis fabricantes autorizados, a classe passa a contar com maior diversidade de alternativas.
Para as farmácias, a expansão pode ampliar as possibilidades de negociação com a indústria, estimular diferentes estratégias comerciais e exigir maior atenção à gestão de estoques e ao comportamento dos consumidores.
Os produtos, porém, ainda dependem da definição de preços e das estratégias de cada empresa para chegar efetivamente ao varejo.
O movimento ocorre em um cenário de demanda potencial relevante. Pesquisa da Febrafar, realizada pelo IFEPEC em maio de 2026, identificou o custo do tratamento como principal obstáculo à ampliação do uso dos medicamentos GLP-1. Segundo o levantamento, apenas 28% dos pacientes aptos conseguem manter financeiramente a terapia, enquanto 65% interrompem o tratamento ou deixam de seguir corretamente a posologia por limitações financeiras.
Ainda de acordo com o estudo, uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar de 28% para cerca de 45% a parcela de pacientes com condições financeiras para manter o tratamento.
Concorrência muda dinâmica das farmácias
Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, a entrada de novos fabricantes altera a dinâmica do segmento e abre espaço para diferentes estratégias comerciais.
“A concorrência começa a assumir um papel muito mais relevante no mercado de GLP-1. A chegada de novos fabricantes aumenta a oferta e cria condições para que a indústria e o varejo trabalhem com diferentes estratégias comerciais. Ainda não é possível afirmar qual será a dimensão da redução de preços, mas é razoável esperar que um mercado com mais opções e mais empresas disputando espaço seja muito diferente daquele que tínhamos quando poucos produtos concentravam a demanda”, afirma.
]grifar]No varejo, a variedade de alternativas também aumenta a necessidade de acompanhar a procura, negociar com fornecedores e administrar estoques.[/grifar]
Fábio Chacon, diretor da Farmarcas, destaca a importância de acompanhar a evolução do segmento. Ele diz que a categoria já apresenta uma demanda muito forte e agora começa a passar por uma transformação competitiva. “Para o varejo, isso significa acompanhar de perto a chegada dos novos produtos, entender a demanda dos consumidores, avaliar as condições comerciais e garantir que a expansão da oferta aconteça dentro do canal regular de medicamentos. A farmácia terá um papel cada vez mais importante nessa jornada”, afirma.
Mais opções não significam queda imediata de preços
A aprovação não representa, por si só, redução automática dos valores. Os fabricantes ainda precisam definir estratégias comerciais, preços e distribuição antes que as novidades passem a disputar efetivamente espaço nas lojas.
Para Tamascia, a relação entre concorrência e acesso deverá ser acompanhada nos próximos meses. Segundo ele, a pesquisa da Febrafar mostra claramente que existe uma demanda reprimida por causa do custo. “Se a concorrência conseguir produzir uma redução consistente nos preços, teremos potencial para ampliar o número de pacientes capazes de iniciar e manter o tratamento. Mas esse processo precisa ser acompanhado de perto, porque não basta aumentar o número de registros. É preciso que os medicamentos efetivamente cheguem ao mercado e estejam disponíveis para a população”, afirma.
Uso irregular exige atenção
A pesquisa também aponta desafios relacionados ao uso dos medicamentos. Em média, 7% dos pacientes chegam aos consultórios relatando já ter utilizado GLP-1 sem prescrição médica antes da primeira consulta.
O dado reforça a importância da atuação das farmácias regulares na dispensação. A Anvisa também vem ampliando medidas de fiscalização e combate a irregularidades relacionadas à importação, manipulação e venda de canetas de GLP-1.
Para Chacon, o crescimento da categoria deve ocorrer dentro da legalidade. “Quanto maior a procura, maior também deve ser o cuidado com a origem dos medicamentos, a prescrição e a orientação ao paciente. O farmacêutico é um elo fundamental nesse processo e pode contribuir para o uso racional, a adesão ao tratamento e a segurança do consumidor”, afirma.