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Diante de desigualdades especialistas defendem que SUS é fundamental para controlar as hepatites até 2030

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A eliminação da Hepatite C até 2030 como problema de Saúde Pública no Brasil foi tema de live nessa quarta-feira (28), que contou com a participação de dos infectologistas Fábio Mesquita e Evaldo Stanislau, e a enfermaeira Márcia Frigério.

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Durante o bate-papo, Márcia falou sobre o que é possível fazer para atingir a eliminação da doença. ‘Para se saber como previnir, a gente precisa conhecer melhor como transmite’, disse ao enfatizar a importância da internet e de sites oficiais de serviços especializados. Márcia também lembrou que pessoas que fizeram transplante há alguns anos, precisam fazer o teste.

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‘Os sintomas são muito pouco específicos. A fadiga, por exemplo, se tornou ainda mais difícil de diagnosticar por conta da Covid. Por isso, temos que aprender a evitar usar objetos de uso pessoal de forma compartilhada. As pessoas acham que dentro de casa não há grandes riscos. A gente tem que conscientizar as pessoas do que elas podem fazer. Tivemos muitos avanços com diagnóstico, mas a prevenção depende de cada um de nós. Depende de mudanças no comportamento de cada um.’

Avanços no Brasil

Fábio Mesquita, por sua vez, lembrou que se trata de uma doença com estimativa de mais de 200 milhões de pessoas com hepatite B crônica. Só em 2019, tivemos 1,1 milhões de pessoas que morreram de hepatite. ‘Esses são números que nos mostram um pouco desse panorama mundial. A gente via no mundo um equilíbrio do HIV com uma curva decrescente, mas a da hepatite vem crescendo, ao contrário das outras doenças infecciosas.’

‘A gente ainda tem muito por fazer. No Brasil, é claro que a gente avançou. Quando a gente estabeleceu protocolo, por exemplo. O tratamento custava, quando foi lançado, 140 mil dólares para uma pessoas. E a gente conseguiu em negociações desconto de 95%. Assim, o tratamento caiu para 7 mil dólares por paciente, um valor que o SUS podia pagar, porque o tratamento que havia antes custavam quase esse valor’, comentou.

‘As taxas de cura desses medicamentos eram de apenas 50% e agora, como os novos medicamentos as curas subiram par 95%. O Brasil está no caminho da cura da hepatite C. Os avanços não foram homogêneos, mas avançou de forma extraordinária. Temos condições, se não faltar medicamentos e se não deixar a prioridade de lado, de controlar a hepatite C’.

Desafios até 2030

Por outro lado, Fábio chamou a atenção para um cenário mais desafiador quanto à hepatite B. ‘As vacinas são três doses, e as vezes as pessoas interrompem essa dinâmica da vacinação. Acho que uma das coisas bacanas foi entrar no mundo da hepatite delta também, e também implementamos a vacinação da hepatite A. Avançamos bastante em relação a essas outras hepatites, mas o sistema de saúde do Brasil tem sofrido impacto nos últimos anos, principalmente após o governo Temer. Já naquela época, o Ministro escolhido não cuidava muito do nosso sistema. Perdemos o foco, a disposição e a vontade nacional de enfrentar o problemas.’

‘Nós temos um sistema de saúde tão estruturado, e profissionais que fazem o que tem que ser feito que muitas ações continuaram, se aprofundaram e podemos ser otimistas para 2030’, afirmou confiante.

O infectologista Evaldo ressaltou a Anvisa também é uma conquista do Brasil. ‘Há pessoas que têm um compromisso com a saúde publica que é impossível de ser rompido. É essa sinergia que a gente precisa reconquistar. O Brasil é grande demais e conseguimos realizar aquilo que parece que é impossível.’

Nesse sentido, Márcia lembrou que além de existir uma vacina o acesso a ela é fundamental. ‘Não podemos desistir e, por enquanto é ampliar o acesso à hepatite B e ampliar testagem para a hepatite C’, disse ao ressaltar a importância dos serviços de atenção básico.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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