Mercado farmacêutico cresce 14% com genéricos e terapias metabólicas
Varejo movimenta R$ 140,7 bilhões no primeiro semestre com forte impacto do aumento do tíquete médio
por Adriana Bruno em
O varejo farmacêutico brasileiro manteve o ritmo de expansão no primeiro semestre de 2026, mas com uma mudança importante na dinâmica do mercado.
Segundo dados da Close-Up International, o canal farmácia movimentou R$ 140,7 bilhões em preço cheio entre janeiro e junho, alta de 13,3% sobre igual período do ano passado. No acumulado de 12 meses, o mercado alcançou R$ 278 bilhões.
O relatório mostra que, considerando o acumulado de 12 meses, o faturamento do varejo cresceu 14,03%, enquanto o volume de unidades comercializadas avançou apenas 3,07%. Em junho, essa diferença ficou ainda mais evidente. A receita aumentou 9,86%, mas as vendas em unidades recuaram 0,50%.
“O cenário demonstra que medicamentos de alta complexidade e maior preço seguem ampliando sua relevância para a rentabilidade do varejo, enquanto os produtos tradicionais continuam responsáveis pelo maior fluxo de dispensação”, comenta Fernanda Rebelo, analista Sênior de Market Insights, da Close-Up Internacional.
Para Alexandro Gandur, ex-executivo do Grupo EMS, conselheiro e fundador da Gandur Partners, os números indicam uma mudança estrutural na forma como o mercado cresce. “O crescimento do setor continua robusto, mas sua natureza mudou. Hoje essa evolução é muito mais sustentada pelo valor agregado dos medicamentos do que pelo aumento do consumo em unidades”, analisa.
Mercado cresce mais em valor do que em consumo

Genéricos seguem como principal motor do mercado
Os medicamentos sujeitos à prescrição (MPX) continuam liderando o crescimento do varejo farmacêutico. A categoria registrou expansão de 17,49% em faturamento nos últimos 12 meses.
O destaque permanece com os genéricos, que avançaram 13,13% em unidades e cerca de 21% em faturamento, desempenho superior ao das demais categorias de medicamentos prescritos. Nos medicamentos isentos de prescrição (MIPs), o movimento também se repete. Enquanto os produtos de marca cresceram apenas 2,02% em volume, os genéricos avançaram 12,11%.
“Os genéricos deixaram de ser apenas uma alternativa de menor preço e se consolidaram como o principal mecanismo de acesso em um cenário de medicamentos cada vez mais caros”, afirma Gandur.
Fernanda ainda destaca que o levantamento também evidencia a crescente importância dos medicamentos voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes no faturamento das farmácias./grifar[
O Mounjaro assumiu a liderança em faturamento após registrar crescimento de 1.390,87% no acumulado de 12 meses. O Wegovy aparece entre os líderes em receita, com avanço de 11,05%, enquanto o Forxiga registrou crescimento de 67,39%.
Apesar do peso financeiro dessas terapias, os medicamentos mais vendidos em unidades permanecem sendo produtos tradicionais. O Glifage XR lidera o ranking de volume, seguido por Neosoro e Losartana. “Os fármacos para diabetes e obesidade mudaram a dinâmica do mercado. O topo do ranking passou a ser ocupado por terapias metabólicas, algo inédito quando comparado ao histórico do setor, tradicionalmente liderado por analgésicos e medicamentos de balcão“, destaca Gandur.
Quem gera receita não é quem vende mais unidades

Indústria nacional mantém protagonismo
O levantamento confirma a liderança das empresas brasileiras no varejo farmacêutico.
O Grupo EMS permanece na primeira posição tanto em faturamento quanto em unidades comercializadas, registrando crescimento de 13,50% em receita no acumulado anual.
A Eurofarma assumiu a vice-liderança em faturamento, com alta de 17,77%, enquanto a Hypera Pharma aparece entre as líderes em volume de vendas. O Grupo Cimed também se destaca pelo avanço de 10,09% em unidades e 16,15% em faturamento nos últimos 12 meses.
Na visão de Gandur, inovação e indústria nacional passam a ocupar espaços complementares no mercado. “Enquanto a inovação global disputa o topo do ranking impulsionada pelas terapias metabólicas, os laboratórios brasileiros continuam dominando o núcleo do mercado e sustentando o crescimento do varejo”, observa.
Norte e Nordeste lideram expansão
Embora o Sudeste continue sendo o maior mercado do país em valores absolutos, o crescimento mais acelerado continua concentrado nas regiões Norte e Nordeste.
O Nordeste liderou a expansão em volume de vendas, com alta de 5,70%, seguido pelo Norte, com 3,52%, ambos acima da média nacional. Em faturamento, o Norte apresentou crescimento de 16,40%, ligeiramente superior ao Nordeste, que avançou 15,61%. “Os números indicam que essas regiões continuam ganhando relevância para a estratégia de expansão das indústrias e redes farmacêuticas”, pontua Fernanda.