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Pedido de recuperação judicial da Servimed é aprovado

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Pedido de recuperação judicial da Servimed é aprovado

O pedido de recuperação judicial da Servimed recebeu aprovação nesta terça-feira, dia 23. É a sexta distribuidora de medicamentos a conviver com esse processo em um período de dois anos.

Enquanto aguardava o aval da Justiça, a empresa com sede em Bauru (SP) emitiu um comunicado ao mercado no início da semana passada. Na oportunidade, alertava fornecedores, parceiros e clientes sobre a dívida acumulada superior a R$ 693 milhões, entre pendências não pagas e compromissos futuros.

O maior montante está vinculado a credores quirografários, aqueles que não têm preferência no recebimento de valores em caso de recuperação judicial, como é o caso de instituições financeiras.

Segundo reportagem do JCNet, quatro desses credores enviaram notificações extrajudiciais à distribuidora de medicamentos. Nesse documento, cobraram antecipadamente um total de R$ 105 milhões pela não quitação de parcelas dos empréstimos.

Com 50 anos de história, a Servimed também contabiliza R$ 30,3 milhões em débitos tributários e R$ 5,2 milhões em dívidas trabalhistas – mais de 2 mil colaboradores atuavam na companhia.

No comunicado, assinado pelo presidente Antonio Iachel Marques, a empresa afirma que “vinha empreendendo todos os esforços e estudos para otimizar sua liquidez e perfil de endividamento, com auxílio de profissionais especializados em reestruturação empresarial”. Além disso, estava em contato com seus credores em busca de uma renegociação consensual de dívidas.

Recuperação judicial da Servimed: da Covid à Ucrânia

Entre as justificativas do pedido de recuperação judicial da Servimed estão as “dificuldades para ajustar sua estrutura de capital, especialmente por conta dos efeitos decorrentes da pandemia da Covid-19, como paralisação de fábricas, queda no volume de vendas e falta de insumos vindos da China, principal fornecedor de matérias-primas”.

A distribuidora de medicamentos citou ainda a alta da taxa de juros, que encareceu o crédito para capital de giro; e a guerra na Ucrânia. O processo tramita na Vara Regional Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem das 3ª e 6.ª Regiões Administrativas Judiciárias, em Ribeirão Preto (SP).

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Problemas de crédito e margens apertadas

A situação envolvendo a Servimed segue o roteiro de outras empresas do atacado farmacêutico. Entre 2022 e 2023, a DP4, Rio Drog’s, Neosul, American Farma e Dislab solicitaram recuperação judicial.

Para a American Farma, a principal causadora da atual crise foi a Covid-19. Segundo a companhia, a impossibilidade de seguir com a visitação médica afetou gravemente seu negócio de farmácias de manipulação. Em paralelo, as varejistas independentes do Norte do país, com menos acesso a crédito bancário, pediram à distribuidora o alargamento de prazos de pagamento, o que gerou um ciclo financeiro invertido. Atualmente, o passivo da distribuidora beira R$ 101 milhões.

Em 2022, a Dislab atribuiu o cenário ao aumento da inflação e da taxa de juros, acompanhado da escassez de medicamentos, instabilidade e alternância na demanda de algumas categorias de produtos.

Fontes ouvidas pelo Panorama Farmacêutico afirmam que a onda de recuperações judiciais, envolvendo tanto distribuidoras regionais como players de grande porte, aponta uma fragilidade do setor – marcado pela elevada concorrência, alta nos custos e estreitamento das margens. Além disso, praticamente todo o segmento vem sofrendo com a redução de crédito por parte das indústrias e do mercado financeiro.

Procurada pela redação do portal, a Servimed manifestou-se por meio de nota oficial, cuja íntegra segue abaixo. Já a Abafarma informou que “não se manifesta sobre casos específicos dos associados. Sobre redução de crédito e melhores condições da indústria, essas são questões comerciais específicas e diferentes para cada empresa”.

Posicionamento oficial da Servimed

“A Servimed julgou que a apresentação do pedido de recuperação judicial foi a medida mais adequada e representou uma solução para sua efetiva reestruturação financeira. O intuito é viabilizar a proteção adequada da empresa e da importante função social que exerce na região, com a preservação da continuidade de suas atividades empresariais e de seu crescimento futuro.

Empreendemos todos os esforços e estudos para otimizar sua liquidez e perfil de endividamento, com o auxílio de profissionais especializados em reestruturação empresarial, além de conduzir negociações com seus credores em busca de uma reestruturação consensual de dívidas, com o objetivo de fortalecer a sua estrutura de capital, superar os desafios empresariais e honrar os compromissos. 

Entre os motivos para o cenário atual estava a dificuldade para ajustar sua estrutura de capital, especialmente em decorrência dos efeitos da pandemia da Covid-19 e da grave crise econômica que afetou toda a cadeia produtiva nacional e internacional, notadamente no setor de farma (medicamentos e consumo), hospitalar e alimentar.

Reforçamos que nosso objetivo continua sendo o mesmo: buscar uma solução definitiva e sustentável para atingir o equilíbrio econômico-financeiro. A recuperação judicial tem como objetivo preservar e garantir os empregos dos colaboradores, permitir a continuidade das operações e a sustentabilidade nos negócios, propor um plano de pagamento das dívidas que permita honrar todas as categorias inseridas nessa situação, manter a boa relação com os fornecedores, investidores, parceiros e clientes, com os quais lida diariamente e viabilizar a retomada do crescimento.

A Servimed  manterá seus credores e o mercado informados sobre o processo de recuperação judicial. E reforça que a premissa básica da empresa e de seus representantes é manter a transparência e a lealdade com as quais sempre baseou suas ações, mantendo a filosofia de uma empresa séria e consciente de seu papel para a sociedade”.

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