Chatbots podem se tornar intermediários em vendas online
OpenAI, Google e Microsoft já permitem compras diretamente na plataforma
por César Ferro em
Desde setembro, a possibilidade de os chatbots passarem a operar como intermediários em vendas online é realidade. Na ocasião, a OpenAI, companhia responsável pelo ChatGPT, anunciou a ferramenta Instant Checkout, que permite que clientes dos Estados Unidos utilizem as conversas para encontrar um produto e até mesmo fechar o negócio dentro da plataforma. As informações são do Bloomberg Línea.
Gigantes do varejo, como Walmart, Etsy e Shopify, já adotaram a solução no país. “Você realmente deve estar onde os clientes estão”, afirma Oliver Chen, analista da TD Cowen. E não são só os grandes nomes do setor que embarcaram nessa tendência: Google e Microsoft também já permitem compras dentro de suas ferramentas de inteligência artificial.
Chatbots como intermediários mudam forma de divulgar produtos
Mas se quem faz a busca e até mesmo fecha o negócio é o chatbot, as antigas estratégias de atração terão que ser atualizadas. Para a especialista da McKinsey & Company, Anita Blachandani, o varejo passará por mudanças “bastante existenciais”.
Um dos principais ajustes será na forma como esses modelos de linguagem buscam os produtos e como as varejistas deverão adaptar seus anúncios. “Por exemplo, uma pessoa pode pedir ao ChatGPT para encontrar um creme facial adequado para pessoas com eczema. Para atrair o robô, não será suficiente apenas descrever o creme no site como sem fragrância. Será preciso trabalhar de forma muito mais detalhada”, exemplifica Andrea Felsted, colunista Bloomberg Opinion. Nesse formato, classificações por estrelas perderão relevância, enquanto as avaliações de usuários ganharão protagonismo.
Nova tecnologia pode se tornar faca de dois gumes
Apesar de as ferramentas de IA terem o potencial de aumentar as vendas, elas também representam um risco significativo ao varejo. Isso porque o ChatGPT, por exemplo, cobra das lojas uma taxa não divulgada por cada transação. “Se as compras por meio de agentes começarem a representar uma parcela desproporcional da receita dos varejistas, essas taxas poderão reduzir as margens diretas”, alerta a jornalista.
Além disso, outro ponto levantado é que essas plataformas podem, no futuro, exigir que os varejistas paguem para aparecer nas pesquisas ou vender anúncios, o que configuraria outro obstáculo à lucratividade.
Os dados sobre o consumidor também podem se tornar uma fonte de renda para as companhias responsáveis pelos chatbots. “Embora o varejista receba informações sobre a transação, são elas que saberão muito mais sobre como o cliente chegou até lá. Em última instância, esse conhecimento pode virar mercadoria”, diz Sky Canaves, analista da eMarketer.