Cade aprova joint venture entre Grupo Mateus e Toureiro
Negócio aquece o mercado de distribuição de medicamentos no Norte e Nordeste
por César Ferro em e atualizado em
A Superintendência-Geral do Cade aprovou, na segunda-feira passada, dia 30, a criação de uma joint venture entre o Armazém Mateus, parte do Grupo Mateus, e a AS&J Holding, companhia do Grupo Toureiro. As informações são do Painel S.A., da Folha de S.Paulo.
A expectativa é que a união gere melhorias operacionais e logísticas, além de ganhos de eficiência por meio da otimização de custos e do aumento da oferta de produtos com precificação competitiva. O grupo do ramo de atacarejos já tem operação no varejo farmacêutico, enquanto a Toureiro entra para completar a operação com sua atuação na distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares.
Ao Cade, as empresas argumentaram que a junção configura uma combinação de negócios e não leva à concentração relevante de mercado, uma vez que existem ao menos oito grandes concorrentes. O Mateus defende que conta com poucas farmácias sob seu guarda-chuva e que o projeto ainda está em estágio inicial.
Joint venture é resposta à entrada de concorrentes no varejo farmacêutico
Com a sanção da lei que permite o estabelecimento de farmácias em supermercados, os atacarejos já se movimentam rumo a uma entrada no varejo farmacêutico. Uma das companhias com plano de ação mais bem estabelecido é o Assaí, que já avança na abertura das primeiras unidades. Nesse contexto, a joint venture entre o Mateus e a Toureiro vem como uma forma de fazer frente a esses novos players.
Grupo Mateus sofre na bolsa de valores
Apesar de ostentar o título de principal atacarejo do Nordeste ao entrar na B3, em 2020, e garantir a maior abertura de capital daquele ano – com R$ 4,6 bilhões -, o Grupo Mateus amarga resultados ruins.
Nos últimos 12 meses, a ação desvalorizou 31% e é negociada na casa dos R$ 4,70. No 4T25, a companhia apresentou queda nos principais indicadores, como o Ebitda ajustado, que recuou 6%, e o lucro líquido ajustado, que caiu 18%. Segundo analistas de mercado, os resultados não devem melhorar ao longo do ano. Isso porque o varejo alimentar está sendo afetado pelo crédito mais restrito ao consumidor, pela deflação dos alimentos e por um cenário macroeconômico mais desafiador.