Drogaria São Bento tem falência decretada
Chega ao fim a trajetória de uma das redes de farmácias que já figurou entre as maiores do país
por César Ferro em
Foi decretada na última quinta-feira, dia 14, a falência da Drogaria São Bento (São Bento Comércio de Medicamentos e Perfumaria Ltda.) e da Transmed Distribuidora (Transmed Distribuidora de Medicamentos Ltda.), braço logístico do grupo.
Em ambos os casos, a recuperação judicial à qual as companhias estavam submetidas foi convertida em falência. Os processos tramitavam na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de Campo Grande (MS), sob administração da Cury Administradora Judicial, representada pelo Dr. José Eduardo Chemin Cury.
Relembre o histórico da Drogaria São Bento
Fundada na década de 1940 por Adib Assef Buainain, a Drogaria São Bento nasceu como uma farmácia independente na esquina da Rua 14 de Julho com a Avenida Marechal Cândido Mariano Rondon, em Campo Grande (MS). A rede chegou a operar em 23 municípios do estado, com cerca de 90 PDVs.
A companhia figurou entre os 20 maiores players do varejo farmacêutico nacional. De acordo com o ranking anual da Abrafarma, à qual a empresa foi associada até 2018, seu melhor desempenho ocorreu em 2008 – 18ª posição em faturamento e 11ª em número de lojas.
Com quase R$ 74 milhões em dívidas, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial em 2015. A varejista alegou que investimentos em estrutura e tecnologia comprometeram sua capacidade de honrar os compromissos.
O plano de recuperação judicial foi aprovado em 2021 e, à época, a defesa da São Bento afirmava ter 1.359 credores. As duas últimas lojas – localizadas na Avenida Guaicurus e na Rua Ceará, ambas na capital sul-mato-grossense – foram fechadas em 2022, quando o endividamento consolidado atingia R$ 88 milhões, distribuídos entre créditos trabalhistas (R$ 11,8 milhões), garantia real (R$ 36,9 milhões), quirógrafo (R$ 38,5 milhões) e micro e pequena empresa (R$ 97,7 mil).
Fazendas de donos da rede também entraram no processo
As fazendas dos proprietários da rede também integraram o processo e foram a leilão. Em julho de 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT24) rejeitou a nulidade da venda das propriedades destinadas à quitação de dívidas trabalhistas. Avaliados em R$ 23,6 milhões, os imóveis pertenciam ao Grupo Buainain.
As propriedades somam mais de 1,2 mil hectares e estão localizadas em Camapuã (2) e Bandeirantes (1), ambas no Mato Grosso do Sul.Impasse com os funcionários se alongou
Apesar de encerrar totalmente as atividades em 2022, ex-funcionários aguardaram por mais de oito anos o pagamento de valores devidos. Em 2023, uma ex-colaboradora relatou que, após uma demissão sem justa causa, esperava desde 2019 o pagamento de R$ 28 mil. Ela entrou com ação judicial, venceu o processo, mas a rede alegava não ter recursos para quitar a dívida.
Portal conta com seção sobre recuperações judiciais
Alinhado ao cenário do mercado, o Panorama Farmacêutico lançou, há dois anos, uma seção dedicada à recuperação judicial no setor. O espaço Falências & Recuperações está dividido conforme as diferentes fases do processo.