Cade aprova venda da Cellera para farmacêutica argentina
Acordo de confidencialidade mantém valores da transação em segredo
por Gabriel Noronha em
O fundo de private equity Victoria Capital Partners acertou a venda da Cellera Farma à companhia argentina Elea. O acordo que confirma a transferência de 79,9% das ações da farmacêutica foi aprovado pelo Cade nesta semana. As informações são do Valor Econômico.
Além dos papéis vinculados à financeira, a Elea também adquiriu outros 10% que pertenciam ao irmão do empresário Omilton Visconde Junior, CEO e fundador da empresa que manteve o restante das ações.
Os valores envolvidos nas duas transações não foram revelados devido a um acordo de confidencialidade firmado entre os sócios da companhia.
A Cellera aposta em um modelo de negócio diferente da maior parte das farmacêuticas. Ao invés de disputar espaço no acirrado mercado de P&D, em busca do próximo grande blockbuster, a companhia se especializava na compra de medicamentos maduros.
Seu principal foco eram fármacos que já não recebiam tanto investimento das farmacêuticas proprietárias, buscando reduzir a velocidade de queda nas vendas ou estabilizá-las.
Desde que firmou um acordo com a Sanofi, no entanto, a Cellera vivia um momento de transição em sua operação. A companhia passou a trabalhar com medicamentos em expansão como o Puran e o Zinpass, ainda em rota de crescimento.
“É outro nível de competição. A Cellera dobrou de tamanho em 2019 [quando fez aquisições importantes] e agora dobra novamente”, explica Visconde Junior. Já sobre o acordo com a Elea, afirmou que o movimento “traz a possibilidade de aumentar o portfólio de forma expressiva e maior poder de negociação de licenças nos mercados mais relevantes”.
Venda da Cellera marca chegada da Elea ao Brasil
Completando a aquisição da farmacêutica brasileira, a Elea finalmente cumpre seu objetivo de estabelecer operações no Brasil. Para estruturar o processo, dois executivos argentinos estão atravessando a fronteira.
O primeiro é Mathias Sielecki, acionista e membro de uma das famílias proprietárias do grupo. O outro é Mariano Foglia, diretor de novos negócios e expansão internacional.
“A Elea é líder na Argentina e está presente em diferentes mercados. Entrar no Brasil era uma pretensão de muitos anos”, afirma Daniel Sielecki, diretor e acionista da farmacêutica argentina. “É o maior mercado da região, com companhias muito competitivas e competentes. Acreditamos que, com nossos produtos, podemos ampliar o portfólio [da Cellera] e trazer também um olhar de desenvolvimento”, acrescenta.