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Alta de casos de Covid e a ameaça de variantes fazem população se proteger mais

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Com o aumento do número de novos casos de Covid-19 e das mortes decorrentes da doença registrados nas últimas semanas na Bahia e em todo o País, o ator e cenógrafo Yoshi Aguiar, 37 anos, passou a considerar a proteção oferecida pela máscara de pano insuficiente. Autônomo, ele vai diariamente ao seu ateliê e faz o trajeto pegando dois ônibus. No retorno, para evitar os horários de pico nos coletivos, ele prefere os aplicativos de transporte.

‘Estava me vendo muito exposto com esse deslocamento e com essa segunda agora, que teve um aumento e tem essas cepas mais fortes’, conta Yoshi. Ele cogitou comprar máscaras com tecido antiviral, mas diante da dificuldade de acesso, optou por usar uma máscara cirúrgica por baixo da feita de tecido. A cirúrgica é descartada após cada uso e a de pano lavada para nova utilização.

Doutoranda em saúde pública, pesquisadora do Cidacs/FioCruz e integrante da Rede Covida, Andrêa Ferreira inclui o transporte público entre os locais com maior risco de contágio, por ter grande circulação/aglomeração de pessoas e baixa ventilação. Dentro desse perfil, ela destaca ainda refeitórios, shoppings, cinemas e supermercados.

Sobre os revestimentos antivirais, a pesquisadora cita o esclarecimento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que aponta uma ação mais restrita à superfície do tecido. ‘A utilização desses revestimentos não está necessariamente relacionada a uma maior eficiência de filtragem de partículas’, esclarece, reforçando a ausência de evidências da superioridade dessas máscaras diante de outras feitas com o mesmo tipo de tecido.

Embora o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA tenha recomendado o uso combinado de máscara cirúrgica e de tecido para melhorar a vedação das laterais, Andrêa pondera que as evidências sobre aumento de proteção são escassas.

A combinação usada por Yoshi também foi adotada pelo arquiteto Pablo Gonzalez, 39, para se sentir mais protegido diante das novas variantes do coronavírus. Ele conta que desde o início da pandemia tem adotado todos os cuidados e sempre está em busca de informações, acompanhando canais de divulgadores científicos e as notícias sobre o tema.

Até de bike

Pablo comenta que tem saído o mínimo possível para compras e afins, além disso sai uma vez por semana para pedalar. Mesmo sozinho sobre a bike, ele não abre mão de usar as máscaras cirúrgica e de pano juntas. ‘Tenho que forçar um pouco mais a respiração, acho desconfortável, mas para mim não é uma questão de escolha, é fazer isso ou colocar minha vida e a do outro em risco’, avalia.

No caso do farmacêutico Anderson Lima, 46, o reforço na proteção ocorreu antes do recrudescimento da pandemia, motivada pelas notícias sobre a transmissão por aerossóis, o que indica a capacidade de microgotículas contendo coronavírus permanecerem suspensas em ambientes fechados e sem renovação de ar. Nos locais de trabalho, onde não tem contato direto com pacientes Covid-19, ele recebe máscaras cirúrgicas, mas resolveu comprar o tipo PFF2/N95.

Atualmente, Anderson usa as máscaras PFF2/N95 para todas as atividades, do trabalho à ida ao supermercado, ambientes que considera muito movimentado. O uso de transporte público tem sido evitado desde o início da pandemia, quando passou a se deslocar por meio de aplicativos de transporte.

Respiradores

Chamadas tecnicamente de respiradores, segundo a Anvisa, as máscaras adotadas por Anderson, além de reterem gotículas, como as demais, também protegem contra aerossóis. No seu site, a Anvisa aponta que para filtrar agentes biológicos em suspensão no ar, a máscara deve ter classificação mínima PFF2 ou N95. Classificada conforme as normas brasileiras, a PFF2 tem filtragem mínima de 94%, enquanto a N95, classificação adotada nos EUA, tem eficiência de pelo menos 95%.

‘Os aerossóis são mais uma via de transmissão do vírus, que já vinha sendo discutido desde o surgimento da pandemia e que se confirmou nos últimos meses’, explica Andrêa Ferreira. Ela ressalta que os aerossóis têm tamanho reduzido em relação às gotículas de secreção e por isso tem crescido as recomendações para adoção do uso de máscaras cada vez mais efetivas, considerando o seu poder de filtração.

A pesquisadora pondera que embora as máscaras PFF2/N95 tenham maior efetividade em comparação com as cirúrgicas ou feitas de tecido, a oferta desses produtos é limitada no País. Por isso reforça que, diante da impossibilidade de utilizar outros modelos, as máscaras de algodão continuam sendo recomendadas para uso contínuo, sendo impróprias somente para quem atua em ambientes hospitalares ou está em contato direto com pessoas infectadas pelo coronavírus.

OBSERVATÓRIO FAZ ALERTA SOBRE NOVAS CEPAS

Um comunicado técnico publicado pelo Observatório Covid-19 Fiocruz, no último dia 4, alertou sobre a dispersão e alta prevalência de ‘variantes de preocupação’ do coronavírus Sars-CoV-2 nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. A Bahia não está entre os estados avaliados, mas em fevereiro, a Vigilância Epidemiológica do Estado confirmou a transmissão comunitária das variantes B.1.1.7 e P1 em território baiano.

De acordo com o divulgado pela Vigilância, a transmissão comunitária ocorre ‘quando as equipes de vigilância não conseguem mapear a cadeia de infecção, não sabendo quem foi o primeiro paciente responsável pela contaminação dos demais’.

Pesquisador em saúde pública da Fiocruz Bahia e membro da Rede CoVida, o doutor em biotecnologia e biociências Tiago Gräf explica que ‘variantes de preocupação’ é a expressão usada para identificar as linhagens do vírus que apresentam um número elevado de mutações e essas alterações genéticas geram maior potencial de transmissão e/ou de fuga do sistema imune.

Linhagens

Atualmente, além das linhagens identificadas pela primeira vez no Reino Unido (B.1.1.7) e na cidade de Manaus (P1), há uma terceira com essa classificação ‘de preocupação’, a B.1.351 (também conhecida como 501.V2) descoberta na África do Sul e ainda não encontrada no Brasil.

Gräf diz que tanto a B.1.1.7 quanto a P1 são consideradas mais transmissíveis, mas existem mais dados sobre a linhagem do Reino Unido. Como a de Manaus tem muitas mutações parecidas com a B.1.1.7, estima-se que ela apresente as mesmas ‘vantagens’ biológicas. Além disso, um estudo realizado no Amazonas identificou uma maior carga viral nos pacientes infectados pela P1.

‘No Amazonas, a P1 surgiu no início de dezembro e rapidamente, em janeiro, já era responsável por 80% dos casos. Isso mostra muito fortemente que ela é bastante transmissível’, ressalta o pesquisador.

Quanto à contribuição das novas linhagens para uma maior agressividade da doença em pacientes mais jovens, o especialista explica que ainda não há dados suficientes para chegar a conclusões.

Sobre a eficácia das vacinas, Gräf diz que no caso da linhagem do Reino Unido está demonstrado que não há perda, mas alguns estudos apontam menor eficácia dos anticorpos neutralizantes gerados pelas vacinas Astrazeneca e Coronavac diante da P1.

Ele lembra que a resposta imunológica vai além desses anticorpos e que a imunidade celular ajuda a impedir o agravamento da doença, e acrescenta que estudos iniciais sinalizam a manutenção do bom desempenho das vacinas nesse aspecto.

Fonte:  

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2021/03/15/exame-pcr-pode-nao-identificar-novas-variantes-da-covid-19/

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