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Anti-inflamatórios e antibióticos podem recuperar fertilidade masculina, mostra estudo

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Uma análise feita ao longo de oito anos revela como o uso de anti-inflamatórios e antibióticos pode auxiliar a fertilidade masculina. Liderada por Mauro

Uma análise feita ao longo de oito anos revela como o uso de anti-inflamatórios e antibióticos pode auxiliar a fertilidade masculina. Liderada por Mauro Bibancos e Livia Cremonesi, especialistas da Huntington Medicina Reprodutiva, a pesquisa apresentada em maio no 7º Congresso Internacional IVI, em Bilbao, na Espanha, contemplou 1.606 homens inférteis, sem sintomas de infecções ou inflamações. O tratamento com uma combinação dos dois remédios resultou na redução em 86% da fragmentação de DNA, um dos fatores que interfere na fertilidade masculina.

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Por que inflamações afetam a fertilidade?

Trata-se de uma falha na cópia dos genes, que pode acontecer, entre outros fatores, devido a processos infecciosos e inflamatórios na próstata e no epidídimo, canal que coleta e armazena os espermatozoides. Essas respostas do sistema imunológico aumentam no corpo a presença de radicais livres, responsáveis por danificar e degradar o gameta masculino. Na prática, isso se traduz em células reprodutivas de menor qualidade e na incapacidade de gerar um bebê saudável, o que pode levar a abortos espontâneos ou a não gravidez.

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Mesmo espermatozoides morfologicamente normais e móveis podem apresentar problemas de fertilidade. O valor de corte estabelecido para sub-infertilidade é de 20% para o índice de fragmentação do DNA. É possível ter, acima desse limite, fertilização normal, desenvolvimento embrionário e uma gestação a termo, ou seja, de 39 a 40 semanas e seis dias. Mas esses índices estão associados a uma redução significante da gravidez e ao dobro de abortos, aproximadamente.

O que pode causar esses problemas de fertilidade?

A fragmentação do DNA pode resultar de diversos fatores, como dieta, uso de drogas, febre alta, temperatura testicular elevada, poluição, fumo e idade avançada. Com exceção da idade, a exposição a essas circunstâncias pode ser temporária, e o quadro de fragmentação também pode melhorar com o tempo.

Por isso, o tratamento comumente indicado é a ingestão de vitaminas com agentes antioxidantes (C, E, zinco e outros) e a mudança comportamental do paciente, como a perda de peso e a cessação do tabagismo. Mas muitas vezes essas mudanças não surtem o efeito esperado e os tratamentos de fertilização in vitro, por exemplo, terão taxas mais baixas de sucesso. Alguns grupos preconizam a retirada de espermatozoides diretamente dos testículos para evitar o caminho percorrido dos gametas por esses órgãos (epidídimo e próstata) e com isso contar com espermatozoides menos fragmentados.

“O problema desse procedimento é a maior incidência de espermatozoides imaturos, menos capazes, com baixa movimentação e processo de formação genética incompleto. Então a nossa ideia, na verdade, foi muito simples: tratar a inflamação. E vimos esse resultado fantástico”, explica Mauro Bibancos, à frente da descoberta, mestre em andrologia pela Universidade de Padova, na Itália, e especialista nas reproduções humana e assistida do Grupo Huntington.

Os resultados da pesquisa, encontrados entre 2009 e 2015, foram avalizados pelos italianos Carlo Foresta e Andrea Garolla, da Universidade de Padova, entre os maiores especialistas em fertilidade do mundo. Presidente e membro do conselho diretivo da Sociedade Italiana de Fisiopatologia Reprodutiva, respectivamente, Foresta e Garolla estiveram no Brasil em maio para o 2º Congresso Internacional Huntington de Reprodução Humana. O evento, que aconteceu em 26 e 27 de maio, em São Paulo, reuniu mais de 700 profissionais do mundo todo para apresentar os mais recentes progressos de investigação, diagnóstico e tratamento dos distúrbios de fertilidade masculina e feminina.

Fonte: Portal Nacional – Segs

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