GLP-1 e canais digitais redesenham o varejo farmacêutico
Dados apresentados por Fábio Alguim mostram expansão dos genéricos, crescimento dos GLP-1 e maior participação das vendas online no setor
por Adriana Bruno em
O varejo farmacêutico brasileiro atravessa uma transformação marcada por mudanças no comportamento do consumidor, avanço dos medicamentos genéricos, expansão dos canais digitais e novas oportunidades relacionadas à jornada de saúde.
No segundo dia da 13ª edição do Abrafarma Future Trends, Fábio Alguim, diretor sênior de Relacionamento com Parceiros Estratégicos & Serviços ao Cliente da IQVIA, apresentou palestra “Impactos do GLP-1 – como os novos medicamentos mudam o comportamento de compra”, na Arena de Ideias Laranja
Durante sua apresentação, Alguim destacou os principais movimentos que vêm alterando a dinâmica do setor e reforçou a necessidade de preparação para um consumidor cada vez mais conectado e orientado por diferentes necessidades.
Segundo os dados apresentados pelo executivo, o Brasil contabilizava 94.500 pdvs ativos entre janeiro e junho, alta de 0,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No intervalo, o mercado farmacêutico alcançou R$ 130 bilhões, com avanço de 10% na comparação anual. Nos últimos cinco anos, o crescimento médio anualizado apresentado foi de 10,5%. “A farmácia é um ponto importante para o paciente e para o consumidor. As transformações que estamos vendo reforçam o papel da farmácia como um ambiente de saúde”, diz.
Mercado cresce, mas composição muda
Alguim ressaltou que a evolução em valor precisa ser observada em conjunto com o comportamento das unidades vendidas. Segundo os dados, o setor continua avançando entre 3% e 5% em unidades, enquanto o desempenho financeiro é influenciado pela maior participação dos genéricos, que chegam ao consumidor com preços inferiores aos medicamentos de referência. “Na composição da alta de 10%, os agonistas de GLP-1 responderam por 3,3 pontos percentuais. Sem esse impacto, a expansão teria sido de 6,8%. O volume contribuiu com 2,2 pontos percentuais, o preço com 0,17 ponto percentual e os lançamentos com 3,7 pontos percentuais”, pontua.
GLP-1 amplia impacto sobre o varejo
Um dos principais destaques foi a expansão dos medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. Conforme os números apresentados, o segmento movimentava R$ 8,5 bilhões, equivalentes a 6,6% do mercado, e poderia se aproximar de R$ 20 bilhões em 12 meses. A alta foi de aproximadamente 100% na comparação com o mesmo período anterior.
O avanço também começa a repercutir em categorias que vão além dos medicamentos. A apresentação citou crescimento de 240% em agulhas e seringas, além de avanços em produtos relacionados a cuidados ao paciente, dermocosméticos, alimentos, bebidas, conveniência e nutrição. “Não é só o GLP-1 que vai vender. O consumidor vai comprar GLP-1, mas também pode levar vitaminas, minerais, ômega 3, magnésio e outros produtos. Existe todo um pacote relacionado a essa jornada”, comenta.
Canais digitais ganham espaço
As vendas realizadas por canais digitais já representam 14% do varejo farmacêutico, segundo os dados apresentados por Alguim. O executivo destacou que produtos de maior valor agregado apresentam desempenho relevante nesse ambiente.
Entre as categorias citadas, os dermocosméticos já têm cerca de 22% das vendas online, enquanto os nutricosméticos chegam a 20%. Entre os produtos de higiene, a participação apresentada foi de 57%.
A expansão das vendas online também foi relacionada à busca das farmácias por modelos de comercialização mais seguros e à conveniência para o consumidor, com participação de aplicativos e WhatsApp. “Os produtos de maior valor agregado performam melhor nos canais digitais. A farmácia precisa entender esse comportamento e estar preparada para capturar essa jornada”, pontua.
Preparação passa por mix, preço e relacionamento (h2)
Para Alguim, o cenário exige mudanças na gestão das lojas. A ampliação dos canais, a entrada de novas marcas e similares e o avanço de categorias associadas ao cuidado e ao bem-estar aumentam a necessidade de atenção ao mix, à precificação e ao relacionamento com o consumidor.
O executivo também chamou atenção para o espaço conquistado pelos modelos associativistas diante das dificuldades enfrentadas por parte dos independentes. Segundo os dados apresentados, enquanto o canal independente registrava crescimento de aproximadamente 1%, os modelos associativistas apresentavam desempenho superior. “É fundamental estar preparado para precificar corretamente, capturar a jornada desse paciente e ter um programa de relacionamento efetivo. O cenário está se transformando e a farmácia precisa estar preparada”, reforça.