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Julho Turquesa traz para a discussão a Síndrome do Olho Seco

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Muitas vezes o olho dá sinais de que algo não vai bem. A Síndrome do Olho Seco, por exemplo, é uma condição recorrente que pode gerar prejuízos para a saúde da visão. Lembrada neste mês pela campanha Julho Turquesa, trata-se de um desequilíbrio na composição ou produção das lágrimas, o que afeta a lubrificação na área dos olhos.

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Também chamada Síndrome da Disfunção Lacrimal, não é algo tão incomum assim. “Pesquisas mostram que a síndrome acomete de 5% a 34% da população ao redor do mundo, variando de acordo com o ambiente e os hábitos de vida”, diz o oftalmologista do NEO Oftalmologia – Unidade Vila da Serra, Raul Damásio de Castro. A doença pode ser controlada com tratamento e acompanhamento adequados.

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“A Síndrome do Olho Seco é uma condição ocular em que há deficiência da camada lacrimal (filme lacrimal) que recobre, lubrifica e protege a superfície ocular. Além de desconforto, pode levar a lesões das camadas externas do olho: pálpebras, conjuntiva e, principalmente, a córnea”, explica o oftalmologista Rodrigo Moreira Gomes, também da equipe do NEO Vila da Serra.

“Nas formas mais graves, podem surgir cicatrizes nos olhos, úlceras corneanas e até mesmo perfuração da córnea”, complementa Raul. E esse é um perigo que pode acarretar perda visual.

A lágrima tem cerca de 100 componentes fundamentais para a limpeza e defesa dos olhos contra microrganismos – não é apenas água salgada. Em cada pequena gota, essas moléculas se distribuem em água, sais minerais, proteínas, lipídios e gordura, continua Rodrigo. No momento do piscar, essas camadas se unem e fazem com que a evaporação do líquido não seja tão rápida.

Quando o número de piscadas diminui, e existem situações em que isso ocorre com mais frequência, estão abertas as portas para a Síndrome do Olho Seco. O normal é que uma pessoa feche e abra as pálpebras entre oito a dez vezes por minuto. Quando a visão está fixada a uma tela, ou até mesmo um livro, o número de piscadas cai para cerca de três vezes nesse intervalo – e esse ato involuntário do corpo é justamente o que impede que a lágrima evapore antes da hora.

Os sintomas do olho seco acontecem quando o indivíduo – e nesse ponto as razões são diversas e individuais – fabrica lágrima com gordura de mais ou de menos, o que leva à dissipação desse líquido, deixando os olhos na secura. “A lágrima é como um óleo lubrificante finíssimo. Qualquer condição que afete o equilíbrio entre seus componentes pode causar alteração em sua quantidade e qualidade, e levar à síndrome”, diz Rodrigo.

Entre os principais sintomas, acrescenta Raul Damásio de Castro, estão desconforto ocular, ardor, sensação de corpo estranho nos olhos, olho vermelho, embaçamento visual, lacrimejamento, reflexo, coceira e fotofobia. Usuários de lentes de contato gelatinosas (que, como se fossem uma esponja, absorvem a umidade), e quem passa muito tempo em ambientes refrigerados artificialmente, também estão no grupo de pessoas mais suscetíveis à aridez ocular.

Essa é uma doença multifatorial, lembra Raul. Entre os fatores de ignição para o problema, até mesmo um cílio no lugar errado ou a poluição são capazes de alterar a função ideal da lágrima – outras vezes, a secura não vem por mudanças na sua composição, mas quando sua produção cai a níveis indesejados.

Oscilações de hormônios na menopausa, alguns medicamentos (antialérgicos orais, antidepressivos, anticoncepcionais, entre outros), doenças autoimunes (como artrite reumatoide e lúpus), uso contínuo de computador ou outras telas, exposição excessiva ao ar condicionado, clima seco, estar continuamente em ambientes com baixa umidade, doenças reumáticas que comprometem a glândula lacrimal (como a Síndrome de Sjögren), além do próprio envelhecimento (estudos mostram que 20% da população com mais de 50 anos apresenta vestígios do distúrbio): todas essas são situações para maior propensão ao olho seco. A quase totalidade dos casos é contornada de maneira relativamente simples.

Para o diagnóstico, o médico checa o histórico do paciente, o tipo de sintomas, se está entre os grupos de risco, com exames que mensuram a produção da lágrima, corantes que detectam regiões ressecadas e até câmeras que captam imagens para quantificar a taxa de evaporação do líquido. A partir daí, o tratamento é com colírios lubrificantes ou anti-inflamatórios, com prescrições diferentes conforme cada paciente.

Quando colírios não funcionam e não conseguem fazer com que o ambiente ocular fique novamente umedecido, existe, por exemplo, um tratamento feito com a inserção de um pequeno plugue para fechar a saída do canal lacrimal, por onde escoa a lágrima. Quando a córnea se torna opaca, glândulas salivares podem ser transplantadas para a mucosa conjuntival, estimulando novamente a produção do líquido. Medicação por via oral de vitaminas e óleos essenciais pode ser indicada. “A melhoria das condições ambientais também se inclui no tratamento”, reforça Raul.

Rodrigo esclarece que prevenir o olho seco pode ser difícil e, por isso, é melhor considerar a prevenção das lesões que a doença causa, começando o tratamento o quanto antes. Para isso, é importante: hidratação adequada, melhorar a umidade dos ambientes acima 40% (o ideal é maior que 60%), tratar as doenças reumáticas que afetam a glândula lacrimal, e reposição hormonal em mulheres com deficiência significativa.

Nos cuidados diários para evitar a síndrome, uma boa limpeza da região faz com que o complexo mecanismo ocular se mantenha hidratado. “A higienização das pálpebras e o tratamento de condições associadas, como a blefarite, inflamação nas bordas das pálpebras, são fundamentais para a resolução do problema”, ensina Raul. Isso é importante, por exemplo, para quem costuma usar maquiagem diariamente, ou para quem tem a mania de levar as mãos ao rosto toda hora – a higiene, inclusive, afasta alergias e infecções. Se surgir uma irritação fora de hora, água corrente, soro fisiológico e água boricada estão fora de cogitação. A dica é simples: pisque, sem moderação.

A campanha Julho Turquesa, lembra Raul, se propõe a difundir o conhecimento sobre a doença, alertar sobre seus riscos, ensinar sobre como prevenir, detectar e lidar com o problema, para afastar complicações. “A intenção é conscientizar a população quanto à importância do correto diagnóstico da condição, e o tratamento mais precoce possível, para evitar sequelas que podem comprometer a visão de forma duradoura”, conclui Rodrigo.

Algumas condições que provocam a Síndrome do Olho Seco:

– Hormônios fora de ordem: anticoncepcionais e menopausa, que interferem no equilíbrio hormonal das mulheres, ressecam os olhos, o que pode ser amenizado com o uso de alguns tipos de colírios

– Remédios: alguns fármacos, como antialérgicos, anti-hipertensivos, anti-inflamatórios e psicotrópicos alteram o teor das lágrimas

– Doenças autoimunes: o olho seco pode levar até mesmo à identificação de distúrbios como lúpus e Síndrome de Sjögren, que costumam afetar a produção das glândulas lacrimais e salivares

– Lesões oculares: As fábricas de lágrima recorrentemente são danificadas também por cistos, conjuntivite e até cirurgias para melhorar a aparência da pálpebra, chamadas blefaroplastias, além de intervenções para corrigir miopia

– Blefarite: é uma inflamação que afeta a região dos cílios, quando se forma um tipo de caspa que pode acabar obstruindo a glândula lacrimal

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Fonte: Tribuna União

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