Mercado global de genéricos deve chegar a US$ 571 bi em 2031
Categoria movimentará US$ 445,32 bilhões, aproximadamente R$ 2,30 trilhões, em 2026 e terá crescimento anual de 5,11%
por Adriana Bruno em
O mercado global de medicamentos genéricos deverá movimentar US$ 445,32 bilhões em 2026 (R$ 2,30 trilhões), ante US$ 419,37 bilhões (R$ 2,16 trilhões) em 2025, e alcançar US$ 571,12 bilhões até 2031 (R$ 2,95 trilhões), segundo levantamento da Mordor Intelligence. A projeção representa um CAGR de 5,11% entre 2026 e 2031.
O estudo considera genéricos simples, especializados, complexos e biossimilares, distribuídos por diferentes áreas terapêuticas, vias de administração e canais de distribuição. Entre os fatores associados à expansão estão vencimentos de patentes de medicamentos de referência, pressão sobre os orçamentos de saúde, políticas de reembolso e aceleração de aprovações regulatórias.
Patentes liberam US$ 40 bilhões
Os vencimentos de patentes previstos entre 2026 e 2028 devem liberar aproximadamente US$ 40 bilhões (R$ 206,9 bilhões) em receita anual de medicamentos de marca para substituição por genéricos. Entre os produtos citados estão sitagliptina, apixabana, dabigatrana e ticagrelor.
Segundo o relatório, os primeiros fabricantes a protocolar os pedidos podem capturar até 70% do volume do produto de referência nos seis primeiros meses. Até 2028, cerca de US$ 15 bilhões (R$ 78,33 bilhões) em orçamentos de aquisição devem ser transferidos para fornecedores de genéricos nas categorias de diabetes, anticoagulação e doenças cardiovasculares.
Biossimilares avançam
Os genéricos simples responderam por 62,31% da receita global em 2025. Os biossimilares, por sua vez, aparecem como o segmento de maior crescimento, com CAGR projetado de 6,89% até 2031.
Na área terapêutica, os medicamentos cardiovasculares concentraram 56,73% da receita em 2025. A oncologia apresenta a maior taxa de crescimento entre as categorias, com CAGR estimado em 7,34% até 2031.
Na administração, os injetáveis representaram 61,48% da receita em 2025, enquanto os produtos inaláveis devem crescer 6,02% ao ano até 2031. No caso dos canais, as farmácias hospitalares responderam por 47,16% da receita, e as farmácias online apresentam CAGR projetado de 8,89% no período de 2026 a 2031.
Mercado brasileiro deve chegar a R$ 630 milhões até 2030
Em maio deste ano, a PróGenéricos divulgou, com base em dados da IQVIA, que o setor gerou uma economia estimada em R$ 14,6 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026 no país.
A expectativa é que esse avanço continue acelerado nos próximos anos. A entidade projeta que a categoria deverá alcançar 45,12% de participação de mercado até 2030, com economia acumulada superior a R$ 630 bilhões para a população brasileira ao longo da década. “Somente entre janeiro e março deste ano, o mercado concentrou grande parte de suas vendas em medicamentos voltados ao tratamento de doenças crônicas e de alta prevalência na população brasileira, especialmente hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares”, diz Tiago de Moraes Vicente, presidente-executivo da PróGenéricos.
Ainda de acordo com o executivo, o avanço do setor também reflete o esforço das empresas na modernização da indústria farmacêutica instalada no País. “Hoje, o setor acompanha a evolução tecnológica da indústria farmacêutica global e amplia sua capacidade de atender a demanda crescente da população brasileira”, pontua.
Princípios ativos mais comercializados no Brasil
De acordo com a ProGenéricos, entre os princípios ativos mais comercializados no país estão:
- Losartana potássica, com 49,7 milhões de unidades vendidas
- Dipirona sódica, com 32,4 milhões
- Hidroclorotiazida, com 20 milhões
- Tadalafila, com 19,5 milhões
- Nimesulida, com 15,4 milhões de unidades comercializadas