Reforma tributária exige gestão mais precisa das farmácias
Controle baseado em dados será cada vez mais importante para acompanhar resultados e tomar decisões no varejo farmacêutico
A reforma tributária amplia a necessidade de um monitoramento mais estruturado nas farmácias. Na avaliação de Gilson Coelho, expert em gestão e educação corporativa no varejo farmacêutico, o momento exige que os empresários acompanhem com mais precisão os indicadores do negócio e entendam como a operação poderá ser afetada pela mudança do modelo de cobrança de impostos.
O especialista do time do Panorama Farmacêutico recomenda evitar decisões baseadas apenas na expectativa sobre a futura carga tributária. O impacto dependerá de fatores como a escolha do regime fiscal, mix de produtos, cadeia de créditos e características da operação.
Nesse cenário, a atenção deve se voltar para a qualidade da gestão. “A pergunta mais importante talvez não é quanto você vai pagar, mas o quanto a sua administração estará preparada para competir no novo cenário”, afirma.
Compras precisam estar conectadas às vendas
A área de compras ganha importância porque decisões de abastecimento precisam considerar o comportamento das vendas, a margem e a velocidade de saída dos produtos. Comprar com melhores condições comerciais, portanto, não deve ser analisado de forma isolada.
Para o empresário, um dos pontos de atenção é diferenciar os produtos de maior giro daqueles que exigem estratégias específicas para evitar excesso de estoque. “Comprar é muito, muito importante. Mas se você compra bem e não vende bem, aí já começa a dificuldade”, destaca Coelho.
A análise também pode considerar a curva ABCD, permitindo estabelecer critérios diferentes de compra conforme o desempenho de cada grupo de produtos.
Estoque exige acompanhamento
O estoque deve ser acompanhado não apenas pelo volume, mas também pela idade e velocidade de giro. A permanência prolongada de determinadas categorias no abastecimento pode comprometer recursos financeiros e indicar a necessidade de rever compras, preços ou estratégias comerciais.
O indicador, nesse caso, ajuda o empresário a identificar onde o capital está parado e quais categorias precisam de atenção.
Gestão por categorias orienta decisões
A análise dos resultados também precisa considerar as particularidades de cada categoria. Medicamentos, perfumaria e outros segmentos apresentam comportamentos diferentes e, por isso, devem ser avaliados separadamente.
Dentro dos medicamentos, por exemplo, a análise pode avançar para as classes terapêuticas. O acompanhamento deve envolver indicadores como margem, preço, giro e estoque, permitindo identificar quais grupos contribuem para o resultado e quais demandam ajustes.
Três pontos de atenção para o empresário
Na preparação para a transição, o especialista recomenda que o empresário avalie quanto a operação depende atualmente da estrutura tributária, acompanhe de perto o resultado líquido e passe a tomar decisões com base em dados e fatos.
Para os negócios menores, a simplificação do sistema tributário não elimina a necessidade de controle sobre compras, estoque, categorias e rentabilidade. Ao contrário, torna a qualidade da gestão um elemento ainda mais presente na rotina empresarial.