Setor avança 13,6% puxado por GLP-1 e digital
Grandes redes aceleram expansão, GLP-1 mantém ritmo de crescimento próximo de 100% e vendas digitais avançam quase 40%
por Adriana Bruno em
O varejo farmacêutico brasileiro mantém um ritmo consistente de expansão. No acumulado de 12 meses até junho de 2026, o setor movimentou R$ 261,5 bilhões em vendas ao consumidor. O crescimento foi de 13,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados da Close-Up International mostram que a expansão continua sustentada pelo avanço das grandes redes, pelo forte desempenho dos medicamentos da classe GLP-1 e pela aceleração do canal digital.
Desde 2022, o mercado acumula crescimento anual composto de 11,5%, reforçando a resiliência do canal farma. De acordo com Fernanda Rebelo, analista sênior de Market Insights da Close-Up International, a Abrafarma segue como o principal motor desse resultado, ampliando participação para 48,6% do mercado.
“Esse resultado é puxado especialmente pela categoria GLP1, que já responde por 6,1% das vendas totais, um fenômeno que reflete o avanço da discussão sobre obesidade e sobrepeso no país e que tem reconfigurado o mix de categorias no varejo farmacêutico”, afirma.
No período de 12 meses, os GLP-1 registraram crescimento de 97,4%, desempenho muito superior ao observado entre outras classes de medicamentos. Considerando o ano de 2026, o aumento permanece próximo desse patamar – 88,3%.
Evolução do mercado farmacêutico (2022-2026)
Dados em bilhões de R$ nos 12 meses até junho de cada ano

Grandes redes ampliam liderança
Entre os diferentes modelos de operação, as redes associadas à Abrafarma registraram o maior ritmo de crescimento, com alta de 17,9%. As demais redes cresceram 14,6%, enquanto as federações avançaram 7,3%.
As farmácias independentes também mantiveram trajetória positiva, com crescimento de 5,2%, mas em ritmo inferior ao das grandes redes, evidenciando a diferença de competitividade entre os formatos de operação.
Canal digital cresce quase 40%
O comércio eletrônico segue como um dos principais motores do varejo farmacêutico.
As vendas digitais passaram de R$ 7,4 bilhões para R$ 10,3 bilhões no acumulado de 12 meses, crescimento de 39,6%. A participação do canal também aumentou no mercado total, reforçando o avanço da digitalização das farmácias.
Entre as categorias, os medicamentos prescritos lideram as vendas online, impulsionados pelos GLP-1, que registraram incremento de 452,2% no ambiente digital. Dermocosméticos, vitaminas e suplementos, medicamentos exclusivos e medicamentos de marca também mantiveram evolução acima da média, confirmando o e-commerce como um dos principais vetores de crescimento do setor.
“Esse movimento é ainda mais acentuado dentro da Abrafarma, onde a penetração digital atinge 27%, reforçando que a integração entre loja física e digital deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito competitivo, comenta Fernanda.
A analista ainda diz que no detalhamento por maturação de lojas, o crescimento continua concentrado nas unidades maduras. “Sinal de que a rentabilidade do setor ainda depende mais da consolidação da base existente do que da abertura acelerada de novos pontos”, completa.
Expansão continua baseada em novas lojas
A abertura de unidades permanece como um dos principais vetores de crescimento do varejo farmacêutico.
Segundo a Close-Up, lojas inauguradas nos últimos três anos continuam contribuindo de forma relevante para a expansão das vendas, enquanto o fechamento de unidades exerce impacto negativo sobre o desempenho consolidado do mercado.
O levantamento contabiliza aproximadamente 101,7 mil farmácias em operação no país. Desse total, quase 55 mil são independentes, 28 mil pertencem a federações, 12,3 mil integram a Abrafarma e cerca de 6,4 mil fazem parte de outras redes.
Lojas maduras mantêm maior produtividade
O estudo também mostra que as unidades mais maduras continuam apresentando maior venda média mensal, enquanto o aumento do sortimento acompanha a evolução operacional das farmácias ao longo do tempo.
A expansão geográfica permanece distribuída entre cidades de diferentes portes, indicando que a abertura de novas lojas continua avançando tanto em grandes centros quanto em municípios médios e pequenos.