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Shampoos em barra crescem e empreendedores apostam na tendência

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Shampoos – Você já usou shampoo em barra? O produto vem ganhando espaço no mercado, sobretudo entre as pessoas preocupadas com sustentabilidade. Segundo um estudo de 2020 do IBM Institute for Business Value, 6 em cada 10 consumidores querem mudar seus hábitos de compra em nome do meio ambiente. A pandemia foi um dos fatores que impulsionaram o interesse por hábitos e produtos mais sustentáveis, que causem menor dano ao meio ambiente.

Os shampoos e condicionadores em barra têm a vantagem de gastar menos água na produção, ocupar menos espaço e durar mais lavagens do que o shampoo tradicional, segundo as fabricantes. Recentemente, marcas que já apostavam em produtos orgânicos, como a Orgânica e a Simple Organic, entraram no bonde e lançaram seus próprios produtos capilares em versão sólida, juntando-se a empresas que já nasceram com a proposta, como a B.O.B.

Em 2020, primeiro ano da pandemia, a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) registrou um crescimento de 7,9% nas vendas de shampoos, 18,6% nas de condicionadores e 12,6% entre o produtos para tratamento capilar. Segundo cálculos da marca britânica Lush, 552 milhões de embalagens de shampoo são descartados anualmente no mundo. E foi esta empresa que deu o start nesta reinvenção do produto.

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A história teve início há mais de 20 anos, quando Mo Constantine, cofundador da Lush, juntou-se ao químico Stan Krystal. Na época, eles trabalhavam para a Cosmetics to Go, marca que depois se tornou a Lush, e conquistaram a patente para a invenção. Desde 2010, a empresa estima que já vendeu mais de nove milhões de shampoos em barra mundialmente.

A companhia afirma que seus produtos em barra duram até 80 lavagens, o triplo da duração estimada de um frasco tradicional de shampoo de 200 ml. A sacada é que, uma vez que o produto acaba, no caso da Lush, nada resta – sem embalagens plásticas. Os itens são entregues em sacos pardos, como os que usamos para embalar pão.

Enquanto esteve no Brasil, entre 2014 e 2018, a marca britânica vendeu seus famosos shampoos e plantou a sementinha em empreendedores brasileiros que apostaram no formato e quiseram nacionalizar a produção dos itens. Por causa da alta carga tributária e da recessão econômica em que o país se encontrava, a Lush deixou de investir no Brasil e fechou as lojas. Mas suas ideias de uma beleza mais limpa, com ingredientes naturais, sem parecer careta, já tinham se difundido por aqui.

Há dois anos, a B.O.B. (“bars over bottles”, ou “barras em vez de embalagens”, em tradução livre) foi pioneira na produção nacional de shampoos em barra. Ao lado do sócio Victor Falzoni, a empreendedora Andreia Quercia queria lançar uma marca de bem de consumo que ajudasse a reduzir o impacto ambiental. Inspirados na Lush, começaram a rodar fábricas em diferentes estados para entender a viabilidade de criar algo parecido e escalar a produção. ‘O Brasil tem uma capacidade instalada de fábricas de cosméticos muito grande, temos um dos maiores mercados da indústria da beleza, mas todos repetem os mesmos processos. Quando propusemos o sólido, não sabiam como fazer’, relembra Quercia.

Após iniciar a operação com três produtos, a B.O.B. ampliou o portfólio e hoje já conta com limpador facial, máscaras de tratamento capilar e linha infantil. Por ser nativa digital, conseguiu abrir um canal direto com o consumidor para explicar do que se tratavam os produtos, em um momento em que o Instagram crescia como vitrine para o varejo. ‘É papel das empresas criar mecanismos e formas de facilitar que as pessoas sejam mais sustentáveis, para que possam implementar na vida agitada, sem passar perrengue’, aponta a cofundadora. Segundo ela, o objetivo da marca é provar que é possível ter um banheiro todo sem plástico, dispensando as embalagens tradicionais.

No início de novembro, a Orgânica também lançou a sua própria linha de shampoos em barra. Igualmente inspirada pela Lush, a marca manteve no radar a ideia, mas tinha receio sobre a penetração no mercado brasileiro. A B.O.B. serviu como laboratório e para trilhar o caminho para que, agora, o consumidor já tenha maior consciência sobre o produto e menos preconceito. ‘Não é uma equação fácil. O público não vai pagar a mais por um produto natural se ele não oferecer resultado. Esse é um produto que está numa onda crescente e, mesmo que haja queda, terá público fidelizado porque entrega performance e é sustentável, uma tendência’, explica João Galhardi, diretor de marketing da Orgânica.

A fidelização é um ponto importante levantado por Carla Capoleti, consultora de negócios com foco em qualidade, produção e sustentabilidade do Sebrae. Para a especialista, o marketing verde promove grande lealdade por parte dos consumidores: ‘Quando você incorpora ações sustentáveis no seu negócio, os clientes querem fazer parte do mundo da empresa, vestem a camisa.’

Luiza Loyola, gerente de contas e especialista em tendências na WGSN, empresa analista de tendências de consumo e comportamento, afirma que o consumo consciente está atrelado ao movimento da sustentabilidade, o que promove mais oportunidades de mercado. ‘Agora, mais do que nunca, existe a necessidade de que as soluções sustentáveis sejam acessíveis e práticas, especialmente em um país com dificuldades econômicas e onde o consumo consciente ainda é restrito a classes com maior poder aquisitivo’, ressalta.

Há quatro meses, a Simple Organic, antes conhecida por seus produtos de skincare e maquiagem, entrou na seara dos shampoos em barra, trazendo para o mercado os ativos que já incluía nas linhas para a pele, como ácido hialurônico e niacinamida, que também podem ser usados como sabonetes. Em breve, será lançado também o condicionador e a pasta de dentes em pastilha. Patrícia Lima, fundadora da marca, promete ainda o lançamento de desodorantes e hidratantes corporais. ‘A linha de sólidos veio para ficar. Cada vez mais falamos em pós-consumo e reutilização de materiais. No caso dos produtos em barra, nós, enquanto marca, nem precisamos compensar, eles acabam em si mesmos’, pontua.

Loyola frisa a importância de pensarmos em alternativas waterless, sem água em sua composição, pelos riscos de crises hídricas que se avizinham. Um shampoo tradicional, aponta, é 80% composto por água. ‘Por isso, a crescente conscientização do consumidor sobre a qualidade e a escassez da água os inspirará a entender de onde ela vem, se essa área sofre de estresse hídrico e se os métodos usados para criar produtos ajudam a limitar ou reciclar a água’, diz.

Fonte: Um só Planeta

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