Takeda pode ampliar oferta de vacina contra dengue no Brasil
Farmacêutica avalia impacto do El Niño na demanda pelo imunizante
por Gabriel Noronha em
A farmacêutica japonesa Takeda informou o Ministério da Saúde que tem capacidade para expandir seu volume de entrega de vacinas contra a dengue no Brasil. As informações são do Valor Econômico.
A comunicação foi feita meses após a assinatura de um contrato de R$ 1,5 bilhão que prevê a oferta de 18 milhões de doses da Qdenga ao SUS nos próximos dois anos, e em meio à expectativa de um aumento no número de casos da doença por causa do El Niño, que deve levar mais chuvas as regiões Sul e Sudeste.
“Temos a capacidade produtiva para, se necessário for, ampliar a produção de acordo com a demanda do Ministério da Saúde e, obviamente, do mercado privado”, afirma Rodrigo Rodriguez, presidente da Takeda Brasil.
Entre 2024 e 2027, a Takeda estima entregar ao Brasil 33,6 milhões de doses do imunizante produzido na Alemanha.
Takeda amplia portfólio no Brasil
O acordo entre a farmacêutica e o Ministério da Saúde, firmado em junho, ocorreu logo após a interrupção da vacinação com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, que registrou diferentes casos de reações adversas.
Antes disso, a pasta havia vetado, no fim de 2025, a parceria entre Takeda e Fiocruz para transferência de tecnologia e desenvolvimento da Qdenga no Brasil. A Sanofi também comunicou, em 2025, a interrupção da produção de sua vacina contra a dengue por falta de demanda.
Apesar da relevância da Qdenga para a operação brasileira, Rodriguez afirma que outros medicamentos têm peso semelhante nos negócios, especialmente na área de gastroenterologia. O Brasil é o quinto maior mercado da Takeda, atrás de Estados Unidos, Japão, China e Alemanha.
No ano fiscal de 2025, a receita da farmacêutica no país cresceu 20%, enquanto o faturamento brasileiro dobrou nos últimos cinco anos. Globalmente, a companhia registrou receita de US$ 29 bilhões (cerca de R$ 148,5 bilhões) no período e destinou aproximadamente US$ 4,5 bilhões (cerca de R$ 23 bilhões) à pesquisa e desenvolvimento.
A estratégia da companhia prevê a chegada de novos medicamentos ao mercado brasileiro nos próximos anos. A expectativa é realizar aproximadamente um lançamento por ano e introduzir de três a cinco novas terapias até 2029, em áreas como oncologia, doenças inflamatórias e narcolepsia tipo 1.
“A vacina também é um produto inovador, passamos 20 anos pesquisando, desenvolvendo, fazendo estudos clínicos, são mais de 19 estudos clínicos, mais de 28 mil participantes nos estudos clínicos e tal qual a vacina que é uma inovação, nós temos outros produtos”, afirmou Rodriguez.
A Takeda também mantém cerca de 15 estudos clínicos em desenvolvimento no Brasil. Segundo o executivo, mudanças regulatórias, diversidade da população e a estrutura dos centros de pesquisa aumentaram a participação do país nos projetos da companhia.