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Setor debate desprescrição de medicamentos

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desprescrição de medicamentos
Divulgação: Canva

O termo desprescrição de medicamentos é novo, mas vem ganhando força entre profissionais de saúde. Um grupo multidisciplinar de especialistas quer que a prática se torne regular entre prescritores e farmacêuticos, segundo informações da Folha de S. Paulo.

A atividade consiste na retirada gradual ou redução da dose de medicamentos que não trazem benefícios ou apresentam riscos para os pacientes, em especial idosos que convivem com doenças crônicas como câncer e diabetes.

Dados que motivam a desprescrição de medicamentos

A desprescrição de medicamentos encontra argumentos nos dados, na visão desse grupo de especialistas. Mais de 30 milhões de brasileiros têm a partir de 60 anos de idade, segundo o IBGE. Deste total, estima-se que pelo menos 80% utilizem pelo menos um remédio por dia e cerca de um terço consome cinco ou mais medicamentos simultaneamente.

Em contrapartida, a Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que mais de 50% dos medicamentos são prescritos ou dispensados de maneira inadequada, enquanto 50% utilizam de forma incorreta o remédio. A situação agrava-se entre os chamados pacientes polimedicados.

“A desprescrição de medicamentos vem se difundindo cada vez mais entre farmacêuticos e geriatras e é preciso expandir essa prática para as demais especialidades”, avalia Márcio Galvão Oliveira, farmacêutico e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Apesar de ser um tema novo em nosso país, essa prática tem sido bastante difundida em outros países. Minha aposta é que as universidades e sociedades científicas tenham grande papel nisso. Nesse sentido, por que não inserir nas diretrizes clínicas as informações sobre a prescrição de medicamentos?”, questiona.

Quase 80% dos brasileiros ampliaram automedicação

O debate sobre desprescrição de medicamentos tornou-se ainda mais intenso durante a pandemia, período em quase 80% dos brasileiros ampliaram a prática da automedicação.

O estudo do Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontou que 77% dos brasileiros que já ingeriam medicamentos por conta própria ampliaram o nível de automedicação na pandemia. O número reforça a importância que as farmácias brasileiras podem e devem assumir em prol da valorização do autocuidado.

Desses 77%, quase metade (47%) afirmou que se automedica pelo menos uma vez por mês e 25% adotam essa postura diariamente ou pelo menos uma vez por semana.

“O consumo de medicamentos sem a devida orientação de um farmacêutico habilitado pode mascarar o diagnóstico correto, atrasando o tratamento adequado. Além disso, quem abusa da automedicação pode sofrer com reações adversas e agravamento da doença”, explica a farmacêutica Valeska Ribeiro.

Dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas apontam que a maioria dos casos de intoxicação registrados no Brasil é proveniente de medicamentos. Antitérmicos, relaxantes musculares e medicamentos que atuam no sistema nervoso central estão entre os mais usados indevidamente.

“Com a justificativa de melhorar a imunidade, muitas pessoas recorreram ao uso indiscriminado da vitamina C, zinco, ferro, dentro outros complexos vitamínicos. Entretanto, o uso aleatório não traz benefícios e pode causar a hipervitaminose, uma intoxicação causada pelo excesso de vitamina no organismo”, explica a especialista.

Pacientes ignoram risco de consumo prolongado

Embora 90% dos pacientes entendam que o consumo de MIPs voltados a constipações não deva ter uso prolongado, 50% ainda continuaram a tomá-los por mais de um ano. A informação reforça o papel das farmácias na assistência aos pacientes.

É o que revela um estudo da Phreesia, detentora de uma plataforma de admissão de pacientes publicado no portal Fierce Pharma. Apesar do amplo reconhecimento das pessoas sobre sua constipação recorrente ou crônica, o conhecimento sobre as opções de prescrição e terapia é baixo.

O relatório Pacientes em foco: tratamento e percepções da constipação pesquisou mais de 6.700 pacientes, dos quais 41% informaram que vivem com constipação por pelo menos 12 meses. Além disso, quase metade dos entrevistados admitiu ter constipação por mais de cinco anos.

Embora 41% dos pacientes tenham falado com médicos sobre sua condição em algum momento, essa discussão foi realizada em menos de uma em cada quatro consultas, em média. E a análise da Phreesia observa que essa conversa única entre paciente e médico não é suficiente.

Os pacientes relataram não ter tempo suficiente (34%) durante a consulta, estar satisfeito com o tratamento atual (31%) e/ou não ter consciência de que a constipação poderia ser discutida com seu médico (29%) como motivos para não conversar mais com seu médico. Outro problema está relacionado ao estigma em torno desse assunto – 31% dos pacientes nunca discutiram seus sintomas de constipação com um médico.

O relatório acrescenta que as empresas farmacêuticas têm um papel fundamental na promoção dessas conversas médico-paciente. A indústria pode ajudar a facilitar as discussões, educando melhor os pacientes sobre as opções de tratamento. Outra responsabilidade é que os laboratórios comecem a discutir os sérios riscos por trás da constipação não tratada a longo prazo. Segundo a pesquisa, quase dois terços dos pacientes não entendem os riscos associados ao problema.

Além disso, a adesão aos medicamentos de prescrição é baixa. Dos 41% dos pacientes que fizeram uso de um medicamento prescrito em algum momento, apenas 22% ainda estavam tomando. Esses números indicam que, por algum motivo, os pacientes não ficaram satisfeitos ou não conseguiram cumprir a prescrição. Ainda assim, os profissionais de marketing farmacêutico têm uma grande abertura: 70% dos pacientes estão dispostos a experimentar outra marca de prescrição.

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